Mãe!...
Escuta-me!
Explica-me, agora, o segredo que fingi saber,
Aquele em que, inconscientemente, me envolvi,
Por ti…
Tantos momentos em que não tive NINGUÉM,
Tantos momentos em que não te tive,
Perseguindo-me a dúvida e o medo.
Ainda sinto a tempestade na minha vida…
Afinal, que enigma me consome
No meu coração de filho?
Mãe, preciso de ti! Ampara-me!
Sozinho, não! Não conseguirei sem ti…
Sinto-me sufocado
Ao esperar que me entendam.
As palavras que não disse com medo de sofrer,
As noites em que mal dormi,
As mágoas que me devoraram,
Sem NINGUÉM perceber!
Com a tua perda, tive de aprender…
Não a falar, nem a escrever,
Mas a percorrer trajetos tão sinuosos,
nesta minha vida tão ingrata.
Passaram-se anos e sem ti continuei.
Vivi dramas, angústias, paixões e tormentos,
Mas em ti sempre pensei
E nada poderia ser diferente…
E ainda hoje me pergunto
Sobre o enigma que te coloquei.
Será que serei forte?
Será que aguentarei?
Não sei, aliás, nada sei!
Só uma coisa não olvido:
A tua presença na minha vida,
Até ao fim…
Hoje, já com esperança,
Acredito que…
Sobreviverei, por ti!
Miguel Lopes
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