A beleza do planeta
insiste em desaparecer,
assim como pegando numa caneta
eu já nada sei escrever.
Toda a gente à minha volta
queixando-se da idade,
quando essa é uma virtude
da qual invejo a qualidade
E quanto a mim,
na opinião dos meus passos,
invejo que eles estejam perto do fim,
enquanto eu morro aos pedaços.
O tempo rouba-me o que não tenho,
oferece-me o que não quero,
e se dizem “ eu não venho “,
apesar de não querer, eu espero.
Não há sim, não há não,
estou farta do talvez.
São assuntos que a razão
não resolve à primeira vez.
Nunca consegui
pelo facto de saber.
As vezes que resolvi
foram a vontade, o querer.
Está cada vez pior,
mas não me apetece parar.
Quando chegar ao fim,
vai dar pena só de olhar.
Dá-me a entender
que se aproxima o final.
Eu sei tanto de escrever
como ser o pai natal.
E depois dá-me pró gozo
como se tivesse alguma piada.
Estou farta de saber
que o que faço não vale nada.
Em cada quadra que passa,
pioro a situação
e ela sempre ultrapassa
a suposta razão.
Mais vale desistir,
está na hora de parar.
Prometo tentar sorrir,
mas não me peçam para não chorar.
Flávia Pascoal
12º A
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