Martim, uma criança de 6 anos, vivia num orfanato desde os seus 8 meses, após a morte dos pais, num acidente de viação. Esta criança não sabia o que era pertencer e ter uma família real, por isso, ano após ano, na época natalícia, Martim escrevia uma carta ao Pai Natal a desejar imensamente que alguém, de alguma forma, concretizasse o seu sonho.
No dia 25 de dezembro, numa noite de lua cheia, em que o céu se apresentava estrelado e corria um aroma especial pelo ar, cheirando a esperança e a paz, Martim, como todas as crianças, e mais uma vez, ansiava pela chegada do Pai Natal. Mas, nesse ano, como por magia, aconteceu algo indescritível, pois a criança, que sempre acreditara na realização do seu sonho, recebeu aquele que considerava o maior presente da sua vida…
Martim ouviu um ruído estranho na sala em baixo e, corajoso, decidiu descer as escadas em pezinhos de lã. Surpreendentemente, avistou uma família a evocar o seu nome, o que já se tornara uma rotina, ao longo da sua curta vida, uma vez que já eram incontáveis as vezes em que ouvira pronunciarem o seu nome. Mas, até agora, tudo tinha sido em vão, tudo permanecia exatamente igual. Seria desta que escutaria as palavras sagradas? Restava-lhe somente a esperança…
De repente, escutou uma voz já típica naquele orfanato, que reclamava a sua presença: “Martim, vem cá!”. Era a sua coordenadora. Com o seu coração quente e aos pulos, foi ao seu encontro e, ao ver aqueles sorrisos, percebeu, de imediato, que a sua vida iria, finalmente, mudar e que a família Sá (era esse o seu nome) estava de braços abertos para o acolher, na sua vida e no seu coração.
Nessa mesma noite, Martim concretizou a sua quimera existencial: mudou de casa, passou o Natal com uma família, como sempre desejara (que passaria a ser, doravante, a SUA família) e iniciou uma vida repleta de amor e ternura, agradecendo, por isso, todos os dias, aquele milagre.
Agora, Martim tem 24 anos, tirou o curso superior de Psicologia e está a trabalhar no orfanato em que viveu, dando o seu próprio exemplo a todas as crianças que o rodeiam. Afinal, a esperança é a última a morrer e qualquer circunstância, por mais longínqua que pareça, pode mesmo realizar-se, bastando acreditar e sonhar! A nossa força íntima suplanta não todos, mas a muitos obstáculos da vida...
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