Muitas crianças acreditam no Pai Natal, nos seus presentes, na magia… No entanto, o Leonardo não! Aliás, ele odiava o Natal e tudo o que estivesse relacionado com esta festa anual: os enfeites, as canções, os filmes, os anúncios publicitários, os espetáculos, tudo!
No dia 15 de dezembro, o Leonardo deslocou-se para a escola, como fazia durante a semana. Faltavam apenas 10 dias para o Natal e os seus colegas andavam contentíssimos e ainda por cima aquele era o último dia de aulas do período. A professora sugeriu aos alunos que fizessem um postal de Natal dirigido aos pais, mas o Leonardo recusou. A mesma insistiu e este negou de novo. Acabou por sair da sala de aula e foi-se embora para casa, sem nada dizer, nem adeus ou “Boas Festas”. Simplesmente desapareceu…
No Natal, o Leonardo era capaz de fazer qualquer coisa só para não ouvir falar de NATAL. Chegou mesmo a pensar em suicídio e não esperou mais tempo… Deixou um bilhete para os pais e, de seguida, dirigiu-se para o esconderijo do pai. Encontrou a sua pistola, colocou-a na mochila e deslocou-se para trás de uma oficina abandonada. Começou, então, a pensar nos bons momentos da sua vida, na rapariga de quem ele gostava, nos amigos com quem jogava futebol, nos pais e nos familiares. Quando estava prestes a puxar o gatilho, o pai dele apareceu e tirou-lhe a arma. O pai, irritadíssimo, mandou-o entrar para o carro e aí, ainda furibundo, o Leonardo explicou-lhe que odiava o Natal. Sem perceber o filho, perguntou-lhe qual a razão para tanto ódio. Porém, a pergunta foi em vão.
Já em casa, insistiu na mesma questão, mas, mais uma vez, sem resultado. O Leonardo trancou-se no quarto, fechou a janela e deitou-se na cama, em completa escuridão, e aqui permaneceu fechado durante 5 dias, situação que repetia de Natal para Natal.
No dia 24, à noitinha, acordou, cheiinho de sede, quando ouviu uns barulhos na sala, no local onde estava a árvore de Natal. Pegou numa faca, correu em direção ao barulho e, ao ligar a luz da sala, deparou com um homem. Quem era este estranho? Ah, ah, o Pai Natal em carne e osso! Sem reação, o Leonardo ficou chocado, pois imaginou que o Natal não passava de uma ilusão, uma mentira enfeitada em presentes enganadores.
Já em diálogo com o Leonardo, o Pai Natal disse-lhe que conhecia a sua realidade: que não acreditava no Natal, que tentara o suicídio e que desrespeitara a professora. O Leonardo estava espantado pois aquilo eliminava todas as suas descrenças. Aproveitando a oportunidade, o Pai Natal confessou que apenas não conhecia a razão do seu ódio ao Natal e ouviu, quase inaudível, a palavra “pesadelo”.
Leonardo, com tantas emoções, acabou por desmaiar, acordando no dia seguinte e encontrou um bilhete na árvore de Natal que dizia: “Leonardo, espero que tenhas, finalmente, mudado a tua opinião. Com muito carinho, recebe um presente meu. Pai Natal.”. Rapidamente, abriu-o e era um boneco simples, sem cara, sem olhos, sem mãos, só corpo e cabeça. Mas, junto a este enigmático boneco, estava a seguinte mensagem: “Quando estiver a chegar o Natal, não pegues em armas nem tenhas pensamentos cruéis. Pega neste boneco e faz o que quiseres com ele”.
O Leonardo conseguiu ultrapassar o seu trauma. Mas a verdade é que, até hoje, ninguém sabe a origem do tal pesadelo, nem mesmo o Pai Natal. Imagina tu…
por Bruno Silva e Eduardo Fernandes (9º B)
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