Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Um Natal especial


Era dia 24 de dezembro. Os flocos de neve voavam com o vento e eu imaginava, na janela do meu quarto, como seria o Natal, neste ano, no orfanato. Esta quadra do ano era sempre animada para as crianças mais novas, pois eram as únicas que podiam ter presentes para desembrulhar. Eu, ao contrário do que muita gente pensava, era a única que não recebia presentes, nem um chocolate.

Será que este ano ia ser igual a todos os outros? Será que existia mesmo o Pai Natal como nos faziam crer? Seria este o ano em que viveria a alegria de desembrulhar, pela primeira vez, um presente?

Estava sentada à janela, há longas horas, enquanto as outras crianças ajudavam a confecionar a ceia de Natal. O jantar era igual todos os anos: comíamos peru assado com arroz mal cozido e batatas cozidas.

Passava pouco das nove horas da noite e o jantar seria dali a meia hora. Levantei-me e fui preparar-me para a ceia de Natal. No entanto, não parava de pensar no casal simpático que me tinha vindo ver, no dia anterior.

No decorrer do jantar, a Dona Francisca comunicou-me que tinha uma novidade para me dar, que iria mudar a minha vida. Eu apenas pensava: “Coitada, pensa que um chocolate contribuirá para a minha felicidade.”. Fui a última a acabar de comer. Estava enganada, afinal! Fiquei em choque com a notícia que me foi transmitida. Ainda naquele dia, Janet e o marido vinham buscar-me. Finalmente, ia ser adotada e logo por aquele casal cuja esposa elogiava os meus cabelos, afirmando que eu tinha os caracóis mais perfeitos que ela já vira e que desejava ter um cabelo ruivo como o meu.

Pouco tempo depois, chegaram. Tinham demorado, pois tinham ido buscar um cãozinho para mim, pequenino, muito fofinho e ruivo tal como eu.

Entrei no carro e confesso que me senti tão bem! O Dave entrou e perguntou se eu estava bem e chamou-me filha. Que sensação tão boa! O coração parecia pular sem limites… Comecei a chorar, pois nunca me tinham tratado assim e adorei este sentimento…

A minha nova casa era enorme, tinha três andares e o meu quarto, para além de gigantesco, quando comparado ao do orfanato, tinha uma porta que dava para o jardim e uma cama só para mim. Mas, sinceramente, naquele dia não me apetecia dormir. Estava com medo e, por isso, a Janet veio dormir comigo. Agora, sim, sabia o que era ter uma família!

No dia seguinte, não me apetecia levantar, pois já sabia que não tinha presentes. A Janet e o Dave vieram trazer-me o pequeno-almoço e comemos todos no meu quarto. De seguida, a Janet pediu-me para ir à sala, ao encontro de Billy. Fui a correr e, quando dei por mim, avistei imensos presentes. Só pensava que o Pai Natal se tinha enganado na morada e, durantes todos os anos em que permanecera no orfanato, tinha enviado as minhas prendas para ali. Este foi, sem dúvida, o meu melhor Natal e aquele que se tornou inesquecível. Estes podem não ser os meus verdadeiros pais, mas são a única família que, algum dia, conheci e serão meus, eternamente…


Vanessa Soares e Joana Santos, 9ºB


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