Era uma vez dois irmãos gémeos que adoravam a quadra natalícia: o Telmo e a Telma.No decorrer da época de Natal, o Telmo gostava imenso de ir com o pai ao bosque buscar um pinheiro, em forma de cone, para árvore de Natal; por sua vez, a Telma, por rotina, deslocava-se com a mãe a uma loja, que ficava na esquina da rua, comprar os enfeites para a árvore de Natal. Nessa loja, os preços eram consideravelmente elevados e todos os anos, naquela família, se compravam enfeites novos, porque a Telma, como era louca pelo Natal, nunca os repetia, de ano para ano.
O preço dos produtos não era, realmente, problema para a família, pois o pai trabalhava numa empresa de venda de automóveis, por conta própria, e a mãe era veterinária na praça. No entanto, ultimamente, o pai não alcançava muitos clientes na empresa e a mãe fora despedida, há pouco tempo. Por isso, tentara arranjar outro emprego, mas a procura tinha sido em vão, até ao momento. Atendendo às circunstâncias, o pai era a única pessoa que, de momento, fazia entrar algum dinheiro em casa para o sustento da sua família.
Passados alguns meses, com a época natalícia prestes a romper, a mãe continuava desempregada e a empresa do pai acabara, como este bem suspeitava, por ir à falência. Corria o dia 11 de dezembro, o dia em que, por norma, o pai ia com o Telmo buscar o pinheiro ao bosque e a mãe com a Telma comprar as decorações à tal loja da esquina.
Apesar de viverem uma situação financeira complicada, os pais ocultaram-na dos filhos, de modo a não os preocupar, até porque era assunto de adultos e os filhos, por isso, nunca se aperceberam da realidade. Deste modo, os pais tentaram manter as rotinas natalícias. A Telma, como era habitual, quando entrou na loja, dirigiu-se, logo, à secção das novidades. Em casa, o pai vestira uma roupa velha e foi com o filho ao bosque buscar o pinheiro daquele Natal. Na loja, passado pouco tempo, a Telma já tinha consigo um carrinho de compras cheio de decorações até ao topo, num valor aproximado de 250 euros. A mãe, ao aperceber-se do exorbitante valor, embora tivesse implorado à filha que restringisse as compras, vendo a sua recusa, acabou por lhe explicar que não tinham dinheiro para suportar tanta despesa. A Telma compreendeu a situação explicada pela mãe e apenas levou consigo um novo Pai Natal, comprado a um preço acessível.
No final da tarde, já com toda a família em casa, o pai já tinha colocado a árvore de Natal e a Telma as luzes. Nos outros anos, a sua casa era a que mais brilhava pelas redondezas, mas este ano tinham optado, devido às circunstâncias, por uma singela árvore de Natal e umas escassas luzes espalhadas pela casa. A Telma nem quis aproveitar os enfeites de outros anos.
Alguns dias depois, chegara, finalmente, o Natal e, neste dia, a família costumava ir ao centro comercial comprar prendas, de forma compulsiva, mas tinham decidido, naquele Natal, permanecer em casa a ver um filme em família. Quando estavam sentados no sofá, a mãe perguntou aos filhos se estes não estavam tristes pelo facto de aquele Natal ser diferente e estes responderam: “Não, mãe, este é o melhor Natal que alguma vez tivemos. Estamos todos juntos e com muita saúde, o que mais podemos desejar?”.
É verdade!... O que interessa não são as luzes a brilhar no exterior da casa ou mesmo dentro, o mais importante mesmo é o brilho intenso que se espalha no coração de cada um…
Bryan Moreira (10º B)
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