Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Um Natal de união…

Era uma noite de Natal das mais frias de sempre e era mais um dia banal nas celas da prisão de Nova Iorque, exceto para um recluso cuja pena de prisão acabava naquele dia.

O seu nome era Rúben e, para ele, o Natal não tinha mesmo qualquer importância. Tinha passado os últimos 15 anos numa cela e, Natal após Natal, vivera uma vida fechada para os outros e para o mundo, contando os dias, as semanas, os meses, os anos,…

Saiu à rua e respirou fundo, sentindo aqueles odores citadinos a que já estamos habituados mas que, para ele, eram, agora, uma completa novidade. Parecia que tudo evaporara da sua mente e do seu pensamento… Não permitira a si mesmo sonhar, ao longo dos 15 anos em que estivera enclausurado. Assim, tudo era novidade para ele: a forma como os carros estavam estacionados, o enfeite das ruas, a alegria das pessoas, mas Rúben não percebia o porquê.

Vagueava pela cidade, admirando-se com isto e com aquilo, recordando-se disto e daquilo e reparou num pobre mendigo que se encontrava à beira da estrada. Aproximou-se e, estranhamente, sentiu que algo o ligava àquele homem e não resistiu em dirigir-lhe a palavra.

Rúben começou a contar-lhe o que lhe tinha acontecido, não sabendo bem porquê. O que sabia era que as palavras saíam da sua boca de forma espontânea. Por momentos, fazia longas pausas, refletindo sobre o motivo de estar a falar com aquele desconhecido, mas logo se recompunha e continuava a história. Disse-lhe que seu pai tinha morrido, ainda ele era muito jovem, e que, depois, ao tentar sustentar a família, roubando, acabou por ser apanhado e preso.

- E tu, tens alguma história? – era a pergunta que Rúben mais lhe quis fazer.

Este contou-lhe que tinha sido abandonado à porta de um orfanato e que, mais tarde, fugira, com esperança de encontrar a sua mãe…

- O meu nome é Carlos – acrescentou. Era um nome que soava um tanto familiar na cabeça de Rúben, mas este não o quis partilhar com este estranho que parecia que conhecia, desde sempre.

Decidiram, unindo a solidão de ambos, passar o Natal juntos e dirigiram-se a uma associação que lhes ofereceu uma sopa e pouco mais… Era o melhor Natal desde que Rúben se lembrava.

Uma senhora aproximou-se deles e perguntou-lhes de onde eram. Estes contaram as suas histórias e, assim que esta ouviu os seus nomes, começou a chorar.

A senhora recompôs-se e contou-lhes que, todos os dias, procurava os seus dois filhos, Carlos e Rúben, em vão, mas que hoje os tinha encontrado.

Ali choraram todos, durante um tempo que pareceu infindável… A história, agora, estava completa...



João Pedro Azevedo, Pedro Silva e Samuel Tavares, 9ºB

0 comentários: