Estamos na época de Natal… Afonso, um rapazinho de 12 anos, andava radiante, porque, para ele, a chegada do Natal era sinal de prendas. Os pais tinham empregos bastante complicados e, por isso, o Afonso passava a maior parte do tempo em casa com a empregada. Para esta criança, o Natal tinha duas vertentes: a boa e a má. A primeira, porque recebia todos os presentes que desejava dos pais, o que sucedia não apenas no Natal, uma vez que a vida financeira dos pais assim o permitia. Mas, devido à complexa vida profissional dos pais, esta criança passava, quase sempre, o Natal em casa com a empregada e, por isso mesmo, sentia- se sozinho nesta época tão especial. Desconhecia o Natal do ponto de vista familiar como a maior parte dos seus colegas da escola. Todos os seus amiguinhos tinham inveja dele, quando apreciavam um novo brinquedo bem caro nas suas mãos, a que só ele tinha acesso. E ele, como é normal na sua idade, ficava sempre muito satisfeito quando recebia algo novo. Contudo, apesar de todos aqueles brinquedos que possuía, sentia também inveja de os amiguinhos passarem o Natal em família, em paz e harmonia.
A família mais próxima era pobre e, por isso, não tinha dinheiro para se exibiram, materialmente. O Afonso compreendia de tal maneira a situação que, por vezes, tomava a iniciativa de oferecer alguns dos seus brinquedos, que mal usava, aos primos, que ficavam radiantes, assim que recebiam algo novo, pois tal era raro em suas vidas.
Pouco antes do dia 25 de dezembro, os pais de Afonso comunicaram-lhe que, mais uma vez, não estariam presentes na noite de ceia, dado que iriam a um congresso, em Madrid. O filho, ao ouvir tais palavras, ficou deveras desiludido com os pais, por quase nunca estarem presentes, nas épocas mais especiais do ano. Foi então que lhes transmitiu que desejava passar o Natal junto da restante família, o que nunca sucedera.
No dia de Natal, juntou-se, então, aos seus familiares e reparou que os primos, mais uma vez, não tinham recebido nada naquele dia especial, ao contrário dele, que tinha em casa um monte de prendas. Então, teve uma ideia: ”e que tal se eu partilhasse os meus presentes com aqueles que não tiveram nada, neste Natal?” E assim o fez. Partilhou os presentes que tinha com os primos e contribuiu, assim, para a sua alegria. Quando regressou a casa, empacotou os outros brinquedos e, no dia seguinte, deslocou-se com a empregada a um orfanato com o intuito de oferecer os presentes às criancinhas que lá viviam.
Quando os pais voltaram, ficaram admirados ao presenciar o vazio debaixo da árvore de Natal, mas ficaram muito orgulhosos do filho pela ação cometida. Foi então que, de consciência pesada, lhe prometeram que, a partir daquele dia, estariam presentes em todos os momentos e, acima de tudo, passariam muito mais tempo com ele, porque, quem queiramos ou não, vida há só uma...
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