Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

“Um Conto de Natal, Para Ler que Não Faz Mal”


O Natal está perto na Terra do Verniz Verde-Couve. Por mais estranho que pareça aí não vivem micro-ondas salteados com amêndoas, porque têm fama de barulhentos. Vivem apenas animais. Animais racionais. Animais que, embriagados, fazem apostas relacionadas com o nome da terra onde vivem e que se arrependem quando acordam sóbrios.

No meio de tantos outros, existe um pinguim, de 16 anos, chamado Osório. É um pinguim normal da sua idade. Consome drogas, tem 3 filhos, rouba carros e se usasse calças, estas estariam tão baixas que se veriam os seus boxers, se os usasse também. Não, falando a sério, Osório é um pinguim responsável. E estudioso. E, pediu-me ele para escrever, um sucesso com as fêmeas. Coitado.

A vida dele é simples, é calma. Vai à escola, vai à depilação às 15h, ao ginásio às 16h, às 17h vai às compras com o Jorge e às 18h vão os dois arranjar as unhas. Fogo, lá estou eu a confundir o conto com a minha agenda. Como dizia, a vida de Osório é simples, é calma. É assim todos os dias, mas não hoje. Porque hoje a Terra do Verniz Verde-Couve está a ser invadida por detestáveis criaturas que odeiam o Natal. E a cidade precisa do seu herói.

Como um pinguim, Osório corre para a cabine telefónica mais perto. Tira os seus óculos imaginários, despe o seu casaco imaginário, assim como a gravata e desaperta a camisa imaginária. Depois, veste o seu fato de Super-Pinguim, com a sua capa ondulante. Tudo isto em segundos, exatamente mil e oitocentos, o que perfaz trinta minutos, o que, para tirar a roupa imaginária e vestir um fato, quando a cidade corre perigo, é um bocado exagerado.

Sai da cabine e a esperança enche as pessoas, que dizem “Osório, hoje é Natal, não é Carnaval, tira lá o fato e foge que estamos a ser invadido”. São estes comentários de apoio que dão a Osório a força necessária. Ele corre contra as criaturas e reza. Reza por elas, que vão levar com o trovão.

As pessoas parecem paradas, tanta é a velocidade com que ele se desloca. Isso ou as pessoas estão mesmo paradas porque está um pinguim num fato ridículo e com uma capa a correr na rua. Mas ele corre e corre e alcança as criaturas. E aí, com a força de cem homens, cem homens com pouquinha força, quase nenhuma, ele defronta-as. Ele ataca, elas atacam, ele pontapeia, elas pontapeiam, ele faz o pino, elas gozam com ele, ele esmurraça, elas esmurraçam.

Após tanto tempo numa sequência frenética de golpes e contra-golpes, de avanços e recuos, de pausas para lanchar e para ir ao wc, Osório domina as criaturas e expulsa-as da sua terra, onde não perturbarão o Natal.

E assim, famílias puderam unir-se, prendas foram distribuídas, sorrisos foram dados e passados de pessoa em pessoa e o Natal pode ser celebrado, porque houve um pinguim com queda para o heroísmo que escolheu ficar e lutar a ver o Natal ser arruinado e o seu espírito esquecido à custa de criaturas de fora, de coisas banais.

João David Almeida, 11ºA

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