Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Prendas, prendas e mais Prendas?!?


Numa cidade igual a tantas outras, vivia um menino, o Miguel, muito mimado que teimava em alcançar, sempre, o que queria. Era um verdadeiro materialista, embora ainda de tenra idade. Por norma, já nem pedia brinquedos, exigia-os.

Numa sexta-feira, durante o decorrer de uma aula, a professora perguntou-lhe:

- Miguel, para ti, o que significa o Natal?

- Muita coisa … - respondeu, vagamente.

- Tenta descrever isso numa só palavra.

- Oh, isso é fácil: «prendas». Muitas e muitas prendas, montanhas e montanhas de prendas…

- Ai sim?.. – fez uma pausa, revelando um ar pensativo, e acrescentou – e os teus pais?

- A minha mãe diz-me desde criança: «- Meu filho, o Natal só existe para se gastar dinheiro e o resto é conversa…». Logo, para mim, um Natal sem prendas simplesmente não é Natal.

- Então, Miguel, eu vou contar-te a história de um colega meu que era como tu e tinha exatamente a mesma perspetiva do Natal. Ele costumava dizer que nunca lhe tinham dito que o Natal era, também, convivência, mas que não acreditaria mesmo se lhe dissessem. Hoje, creio que seria um homem diferente, se tivesse aproveitado mais a época natalícia com a sua família.

Tudo aconteceu quando, há dois anos, faltava pouco mais de dois meses para o Natal, sucedeu um trágico acidente de automóvel, do qual resultaram dois mortos. Eram os seus pais. Sofreu muito durante dias a fio. Mas o que mais lhe custava era que se aproximava o Natal e ele não iria ter prendas nenhumas. Quem iria pôr prendas no seu sapatinho, agora que não tinha pais e vivia num lar de acolhimento? Esta era a sua grande preocupação. Foi então que, quando menos esperava, aprendeu o verdadeiro significado do Natal. Tinha chegado a noite de Natal e ele permanecia, como sempre, rabugento. Mas, rodeado pelos amigos e auxiliares do lar, rindo, brincando, falando e partilhando experiências, acabou por mudar de ideias, apreciando o outro lado do Natal que desconhecia. E, sem dar por isso, mesmo SEM RECEBER PRENDAS, passou um dos Natais mais felizes da sua vida. Aprendeu mais nessa noite do que em tudo o que vivera, até então.

- Ó professora, acha mesmo que eu acredito nisso?! Se for preciso, e como é a professora, até inventou isso tudo agora. - disse o Miguel com ar de gozo, não acreditando numa singela palavra.

- Não, tudo isto é verdadeiro, esta história aconteceu mesmo. Acredita em mim…

O tema nunca mais foi focado na aula do Miguel, mas faltavam quase dois meses para o Natal, quando este recebeu uma terrível notícia. Os seus pais encontravam-se em coma devido a um terrível acidente de viação. De imediato, o seu pensamento recaiu na história que a professora lhe tinha contado. E, curiosamente, devido a essa fatalidade, o Miguel nunca mais pensou em prendas de Natal, pois o único presente, aquele que mais desejava, era a salvação dos pais e não sair de junto deles.

E, na noite de Natal, como por milagre, os seus pais acordaram. Só nesse Natal é que o Miguel percebeu que aquela história poderia acontecer a qualquer um e jurou que, a partir daquele momento, apenas importava o amor de seus pais, pois a família é o maior presente que se recebe na vida.

Kelly Silva, 10º B

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