A oração de Maria
Maria era filha única.
Era um doce de menina. Pelos seus olhos azuis brilhantes, via um mundo de bondade e de solidariedade. Eram os valores transmitidos pelos seus pais, que sempre quiseram mostrar à sua única filha que, na vida, o dinheiro não é o mais importante.
À hora do jantar, Maria ajudava a pôr a mesa. O pai e a mãe preparavam a refeição juntos, enquanto Maria contava as suas aventuras e desventuras passadas na escola. Esta era uma altura especial: era a única ocasião em que estavam todos juntos, em família, e aproveitavam para pôr a conversa em dia. Partilhavam os melhores e os piores momentos do dia, aconselhando-se mutuamente.
À noite, Maria rezava sempre. Ajoelhava-se aos pés da sua cama e dizia a sua oração: “Obrigada, Jesus, pelo amor que me dás! Sou uma criança feliz, mas mais feliz seria se me pudesses dar aquilo que eu mais desejo – um irmão! Sei que és meu amigo e que não te vais esquecer do meu pedido.”. Benzia-se e deitava-se, certa de que o seu Jesus, um dia, iria atendê-la.
Por várias vezes, Maria tinha questionado os seus pais sobre o facto de ser filha única. A mãe explicava-lhe, com ar doce e terno, que não podia ter mais filhos devido a um problema de saúde. Maria parecia entender, mas era-lhe difícil aceitar, pois o seu Jesus fazia milagres e sabia que um dia iria ter um irmão! Os seus pais, de coração apertado, entreolhavam-se sem saber exatamente o que dizer…
Naquela véspera de Natal, Maria fez a sua oração com mais fervor que o habitual: “Obrigada, Jesus, pelo amor que me dás! Sou uma criança feliz, mas mais feliz seria se me pudesses dar aquilo que eu mais desejo – um irmão! Sei que és meu amigo e que não te vais esquecer do meu pedido.”. Uma lágrima brilhante desceu dos seus olhitos azuis. Ela limpou-a com a manga do pijama e aconchegou-se na sua cama.
O dia de Natal amanheceu branquinho, com retalhos de neve macia pelo chão. Maria levantou-se de um salto e correu até ao quarto dos pais. Vendo a cama vazia, dirigiu-se à sala. Lá estavam eles, sentados no sofá, segurando no colo uma criança um pouco mais nova que a Maria. “É o teu irmão!”, disseram-lhe. Maria não queria acreditar! O seu coraçãozito bateu tão forte, que parecia querer sair de dentro do peito. Dirigiu-se ao irmão e deu-lhe um abraço apertado e um beijo ternurento. Depois, ajoelhou-se em frente ao presépio e disse: “Obrigada, meu Jesus, pelo teu grande amor! Só tu sabes a felicidade que me deste! Amar-Te-ei para sempre!”.
Conto original de autoria da assistente operacional Maria Arminda Vieira da Silva
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