A barafunda estava instalada no Polo Norte. Desde que o Pai Natal havia anunciado que se encontrava muito velho para dar continuidade ao seu trabalho e que pretendia escolher o seu sucessor, formou-se, logo, uma tremenda competição entre os dois blocos: um liderado pelo Humberto e o outro pelo Jaime.
O Humberto era, para a grande maioria, o preferido, visto que era um jovem dedicado, muito responsável e trabalhador. Tinha um cabelo ruivo, grande e espesso, era muito alto, andava sempre com um casaco castanho-escuro e o seu olhar era, deveras, sério refletindo a pessoa que era, na realidade. Já o Jaime era o seu oposto. Era baixo, tinha uns grandes olhos verdes e andava sempre com roupa muito justa que deixava transparecer a sua grande barriga, que alcançara devido à sua gula por doces. Tinha um nariz grande e pontiagudo, um cabelo preto todo despenteado e uma barbicha grisalha. Espalhavam as más-línguas que só conseguira ser um dos concorrentes ao cargo pelo facto de seu pai ser um amigalhaço do Pai Natal. Se era verdade ou não, não se sabia. Mas a verdade era que, se havia alguém capaz de usar qualquer truque sujo para ganhar a competição, essa pessoa era o Jaime. E o Humberto já estava pronto para as surpresas que poderiam advir da parte do seu rival e até já tinha pedido a alguns dos seus colegas que prestassem atenção nele.
- Então, Humberto, é hoje! – disse Jaime tentando não se rir.
- A quem o dizes! Desejo-te boa sorte e que ganhe o melhor! – disse Humberto, tentando perceber o que o Jaime já havia tramado.
- Claro que, sem dúvida, vai ganhar o melhor. – disse Jaime com um enorme sorriso, enquanto comia mais um rebuçado – Até já, meu amigo. – proferiu, pausadamente.
Foram todos chamados pelo Pai Natal, para tomarem lugar na sua sala, a qual, outrora, servira para guardar os presentes, antes de serem colocados nas suas respetivas sacas para, posteriormente, serem entregues, por todo o mundo. A sala já nem parecia a mesma. Sacos, não se viam nenhuns, apenas quatro sofás espalhados pelos cantos da sala, inúmeras cadeiras no centro e mesas cheias de petiscos. Existiam, curiosamente, três cadeiras especiais com os nomes Humberto, Jaime e Pai Natal, nas quais se sentariam, porventura, os três.
Cerca de duas horas após o início da festa, o Pai Natal levantou-se e, ostentando um ar sério, transmitiu as seguintes palavras:
- Senhoras e senhores, duendes e renas, já decidi quem será o meu sucessor.
De repente, fez-se um enorme silêncio e ouviu-se:
- O próximo Pai Natal é... Jaime!
“Jaime?”, “Como é possível ser o Jaime?”, “Deve haver algum erro.” - foram as frases que mais se ouviram pelos cantos daquela sala. No entanto, o Jaime não estava nada espantado. Aliás, encontrava-se bem sereno… Mas o Pai Natal decidiu, está decidido… E, quanto aos motivos da escolha do Jaime para sucessor do Pai Natal, estes serão desvendados, num outro dia, já num outro Natal… Afinal, esta história não acaba aqui!...
Pedro Sá, 10º B
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