Todos os anos, na época natalícia, as famílias de todas as partes do mundo enfeitavam as suas casas com variados ícones natalícios: as luzes no jardim, as botinhas na chaminé, as guloseimas no centro das mesas, a Árvore Natal e, quando nevava, os Bonecos de Neve com a cenourinha, os botões e o cachecol. Todos esses símbolos faziam parte da ideia do que era para os diferentes povos o Natal e coexistiam harmoniosamente. Mas, houve um ano em que o Natal não foi assim tão calmo. Na véspera de Natal, sem se saber porquê, os ícones viraram-se uns contra os outros e cada um se dizia mais importante que os outros todos. Enquanto todas as famílias dormiam nas suas casas, gerava-se uma grande confusão surgida do nada. As luzes nos jardins gabavam-se:
- Nós somos os mais importantes de todos, porque iluminamos o Natal destas pessoas e damos cor a esta festa.
Logo de seguida, as botinhas na chaminé ripostavam dizendo:
- Ora essa! Nós é que somos as mais importantes, porque guardamos dentro de nós as prendinhas que, na manhã de Natal, as crianças vão abrir, resplandecentes de felicidade.
As guloseimas, no centro das mesas, troçavam e respondiam:
- Nada disso! Nós é que somos as mais importantes nesta festa! Sabeis porquê? Porque connosco o Natal fica mais doce!
Os Bonecos de Neve vinham às janelas e exclamavam:
- Deixem-se disso, porque nós animamos o Natal. Quando neva, todas as crianças vêm ter connosco para brincarem felizes.
Era uma discussão sem fim. Falavam todos ao mesmo tempo, ninguém se ouvia e havia tudo menos harmonia. De repente, eis que se avista lá no alto, ao longe, no céu estrelado, uns vultos que se aproximavam: eram o Pai Natal e as suas renas que sobrevoavam as cidades e os campos. O Pai Natal, ao ouvir tal discussão, exclamou:
- Não percebo toda esta confusão. O que é que se passa aqui?
Então, um a um, os símbolos natalícios defenderam as suas opiniões, colocando-se sempre acima dos restantes. O Pai Natal resolveu também entrar na discussão: - Se há símbolo que o Natal não dispensa é o Pai Natal. Até na China sabem quem eu sou! Nem sei para que é essa discussão toda! Mas, já agora, vou colocar-vos uma questão. Afinal, o que é que se comemora no Natal? Que quer dizer a palavra “Natal”? Alguém sabe?
Ninguém sabia, ao certo. Os pinheiros encolheram os ramos, as guloseimas perderam o doce, o boneco de neve começou a derreter, as botinhas encarquilharam-se, as luzinhas ficaram pálidas. Ninguém sabia o que significava a palavra Natal!
- Pois é, todos querem ser símbolos do Natal, mas ninguém sabe o que ele significa. Então eu digo-vos. Natal quer dizer “nascimento”. É o dia em que se comemora o nascimento de um homem chamado Jesus Cristo, um homem que veio ao mundo para dizer que somos todos irmãos e que o ódio e a vingança não devem fazer parte da nossa vida.
Nessa altura, os objetos natalícios olharam uns para os outros, duplamente envergonhados. Primeiro porque nem sabiam o que era o Natal, depois, porque estavam a fazer precisamente o contrário do que dizia o Pai Natal. E a partir dali, a harmonia voltou a reinar. O Natal ficou então mais verde, mais brilhante, mais doce e mais fofo. E o Pai Natal ficou mais feliz. E Jesus Cristo, nas suas palhinhas do presépio, pareceu lançar sobre todos eles o seu olhar bondoso e aprovador.
Mariana Pinto Pinheiro, Turma: 12ºA
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