Desde há muito tempo, tempos quase imemoráveis, existe um homem já com uma certa idade, muito barrigudo e com umas barbas enormes brancas. Este nunca deixa de revelar o seu ar simpático e alegre. Nicolau é o seu nome de batismo. Este trabalha horas, dias, meses para aquele dia especial do ano, o Natal. Por isso, tem uma fábrica mágica a que denominou “Fábrica dos brinquedos”. Aqui, realizam-se, todos os anos, os sonhos de todas as crianças…
Contando com a preciosa ajuda dos duendes, das fadas e dos anões, a magia instala-se por toda a parte e o certo é que, ao longo dos anos, tudo tem corrido como planeado. No dia 25 de dezembro, o Pai Natal deposita os presentes nas milhentas casas espalhadas pelo mundo e, logo de manhãzinha, os meninos e meninas acordam e vão direitinhos ao seu sapatinho ver o que lá deixou o tão desejado e amigo Pai Natal. Mas, nesta quadra natalícia, algo parece não correr nada bem.
A esposa de Nicolau, Isabel, entra no escritório, quando, de repente, o Pai Natal lhe diz:
- Que susto me pregaste, mulher!
- Não entendo por que razão andas assim. Falta pouco para a noite de Natal e nunca te tinha visto tão nervoso. Conta-me o que se passa, querido. Eu estou aqui para te ajudar…
- Não se passa nada, minha querida. Apenas me assustei, pois não pensei que fosses tu.
- Humm… Não sei porquê, mas não acredito nas tuas palavras. O que me estás a esconder, Manuel Nicolau? Sabes que dia é hoje? Devias estar a preparar os brinquedos para distribuir pelas crianças e, em vez de alegre, pareces um velho rabugento!
Nicolau, sem mais nem menos, sem sequer responder a Isabel, sai do escritório e começa a desabafar alto:
- Porquê? Por que me tinha de acontecer a mim?
As renas de Nicolau estavam doentes, a sua fábrica estava parada… Tudo estava virado do avesso e Nicolau não sabia a quem mais recorrer. Porém, sabia que, se contasse à sua mulher, ela não mais o perdoaria e os seus trabalhadores estavam desiludidos consigo, porque não tinha dinheiro para lhes pagar. E sem o maldito dinheiro não havia presentes nem remédios para curar as suas renas e, simplesmente, estava perdido! Resumindo, a “Fábrica dos brinquedos” estava em crise! E, com todas estas preocupações a pairar na sua mente, o Pai Natal ouviu uma voz:
- Nicolau! Nicolau! Está na hora! Acorda! Temos presentes para entregar!
- O quê? Como? Quando? Isabel, és tu? Não imaginas o pesadelo que acabei de ter! Ainda bem que está tudo bem! Vamos lá entregar os presentes às crianças!
Afinal, afinal, apesar da triste realidade que existe um pouco por toda a Europa, para o Pai Natal, tudo não passou de um mau sonho… É verdade, a crise faz-nos ter pesadelos! Mas, apesar de todo o panorama negro, ainda temos direito ao NATAL e à concretização dos sonhos dos mais pequenos!
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