Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

O menino que descobriu o Natal


Para a maior parte das pessoas, o Natal é sinónimo de presentes, de comida deliciosa e de reunião familiar. Mas, para outros, não! O dia de Natal é igual a tantos outros. Em muitos países, a pobreza é tanta que nem há o que comer.

Samuel, um rapaz pobre, vivia no Brasil com os seus pais, numa fazenda. Nunca tinha vivido um Natal, nem sabia o que era. Já ouvira falar do espírito natalício e do Pai Natal, quando os filhos dos fazendeiros falavam acerca do que pedir ao Pai Natal, mas nunca entendeu o que era. Para uma criança com apenas 11 anos de idade, trabalhar numa fazenda com os adultos, trabalhar de sol a sol, e comer apenas um trigo duro, de vez em quando, é difícil e não é vida para uma criança. Samuel apenas sabia escrever o seu nome, pois seu pai lhe ensinara. Mas, na verdade, todos têm direito a ser feliz, pelo menos uma vez na vida. Samuel só soubera o que era receber presentes um única vez na vida, quando o seu pai lhe tinha oferecido um pião de madeira, num dos seus aniversários.

Estávamos no final de novembro, quando um casal amigo dos fazendeiros foi passar uns dias à fazenda onde Samuel e os pais trabalhavam. O casal Santos, Maria e Óscar, tinham uma filha, a Gisela, uma menina da mesma idade de Samuel. Tinha um olhar doce e uns olhos azuis que lembravam claramente o mar. A filha do casal Santos gostava de passear pelos campos, cheirar as flores e descobrir riachos. Numa tarde de pouco sol, Gisela passeava numa encosta quando caiu, mas Samuel encontrou-a desmaiada no chão. Não hesitou e chamou os pais da menina. Procurando agradecer a proeza ao menino, os Santos decidiram convidar o pequeno escravo para passar o Natal com a sua família, no Norte do Brasil.

Inicialmente, Samuel estranhou, pois ele só tinha feito o que qualquer pessoa faria. Os pais de Samuel ficaram orgulhosos do filho, mas tinham receio que o casal lhes tirasse o filho e este se tornasse escravo na herdade Santos. No dia 24 de dezembro, o casal de fazendeiros lavou e vestiu o pequeno Samuel e este parecia um homenzinho! Mas não entendia por que era preciso tanta coisa. Na herdade da família Santos só se viam luzes que iluminavam toda a casa. Samuel jantou, apesar de não saber muito bem como utilizar os talhares, mas lá se safou bem a imitar os adultos.

Após o jantar, Samuel, tímido, pensava para si mesmo: onde está o tal espírito natalício de que falam? Onde está a felicidade? O amor? Apesar de ser pobre, o pequeno Samuel era feliz com a sua família.

Afinal, o Natal era só juntar a família, apreciar um jantar rico em diversos alimentos, numa mesa com muitos copos e muitos talhares para uma só pessoa, era oferecer e receber prendas? Onde estava o amor?- perguntava, de novo, a si mesmo. E pensava que preferia ser pobre e amado do que rico e vazio de amor. Nunca pensou que o Natal fosse só isso…


Elisabete Oliveira, 10ºB

0 comentários: