Era véspera de Natal. Nas ruas iluminadas, pairava o stress. A gente que as calcorreava, apressadamente, fervilhava de emoção, entrando e saindo de todas as lojas com que deparava. Ninguém se conhecia, nem se preocupava em admirar os que envolviam aquela atmosfera natalícia. Eram tantos os que se cruzavam sem se verem, empurrando-se uns aos outros, carregando inúmeros embrulhos com presentes de última hora! Parecia que queriam comprar toda a felicidade que existia para as suas famílias, ausentes de toda a partilha, fazendo do Natal um evento mais social do que cristão, esquecendo-se do seu verdadeiro significado: festejar o nascimento de Jesus Cristo, o começo de uma vida nova.
Mas, no meio de toda aquela confusão, daquela multidão azafamada, cega e materialista, alguém se sentia sozinho, caído no chão, sem que alguém notasse...
Henrique passou, olhou, mas não viu. Continuou a sua labuta pedestre, em busca de presentes para a sua família.
Horas depois, cansado de entrar e sair de várias lojas, continuava sem encontrar o que pretendia. Comprar prendas para quem tinha tudo era uma tarefa bem difícil. Porém, sentia-se, já, enfastiado de tanta correria. O tempo passava e sentiu-se desanimado. Foi então que resolveu sentar-se num banco de jardim que ficava do outro lado da rua.
E, no silêncio da natureza, questionou-se sobre o objetivo de tanta correria. Retirou o seu computador portátil que sempre o acompanhava, símbolo da nova era, e pesquisou tudo o que havia sobre o Natal. Curiosidades repentinas! Ficou, assim, a conhecer a sua origem e o seu significado e nada justificava o que tinha feito até ali. Se Natal é sinónimo de nascimento, também pode ser o começo de uma vida nova e ele, naquele momento, sentiu uma necessidade vital e inexplicável de mudar a sua. Jurou que, doravante, procuraria dar mais sentido e razão à sua vida, na qual incluiria a partilha com todos aqueles que verdadeiramente precisavam. Se o objetivo das prendas era fazer alguém feliz, teria de encontrar alguém que necessitasse mesmo delas.
Fechou o computador e começou a percorrer o caminho de regresso a casa. Passou de novo pela pessoa caída, no meio do chão, mas, desta vez, aproximou-se, olhou-a e ficou admirado com tamanha tristeza presente no olhar deste indivíduo, na véspera de mais um Natal. Decidiu levá-lo consigo, para junto da sua família, e proporcionar-lhe um Natal diferente dos outros.
Apesar de não haver prendas, todos se sentiram felizes, porque aproveitaram o Natal para usufruir de um momento de partilha, oferecendo a alguém, que até então era um desconhecido, aquilo de que mais necessitava, felicidade e conforto.
A partir daí, Henrique passou a viver de maneira diferente, ligando mais ao real significado do Natal em vez da sua materialização.
Simão Magalhães, 10º B
0 comentários:
Enviar um comentário