Nunca poderia imaginar o quão difícil é, para algumas pessoas, passar um Natal feliz, confortável e com o amor que merecem. Seria de esperar que, nesta época, todas as pessoas tivessem o direito de ter um Natal afortunado. Afinal de contas, Natal é Natal… É tempo de esperança, tempo de alegria. Nasceu Jesus, que veio para nos salvar e para fazer justiça no mundo, protegendo as pessoas boas. É também tempo de magia, uma época repleta de sorrisos e brincadeiras de crianças que esperam, ansiosamente, pelo Pai Natal, gritando pelo seu nome e esperando receber, nesta noite brilhante e mágica, dentro dos seus sapatinhos, copiosos presentes que as fascinarão, com certeza.
Tudo isto era o que a minha mãe me contava, antes de eu adormecer. E eu acreditava piamente. Era apenas uma miúda, ingénua e sem preocupações. Mas, agora que cresci, percebi que há coisas no mundo que são tristes e desagradáveis. Nunca poderia imaginar que a simples aletria e os suculentos sonhos que me enchem o estômago, todos os anos, e que adoro confecionar, esbanjando alegria, são, para essas mesmas pessoas, um verdadeiro banquete. Quem diria que há tanta fome, tanta miséria e tanta guerra entre os seres humanos?! E quem diria que o Pai Natal não existe? Pobres crianças que são como eu fui em tempos e que acreditam em magia e em renas voadoras.
Agora, percebo que a verdadeira magia do Natal é o amor e a paz entre os Homens. É a união e a partilha. É poder observar as famílias reunidas, satisfeitas, com os corações quentes e cheios de alegria. É ver todo o mundo de mãos dadas numa causa comum e só esta poderá acarretar a mudança do mundo e transformá-lo num Paraíso.
Porém, a verdade é que nada disto é a realidade. Esta é muito mais dura e mais agreste e não preenche, definitivamente, tais requisitos. Nem toda a gente pode ter um Natal minimamente aprazível e, por isso, devemos auxiliar quem está ao nosso alcance, porque o Natal é isso mesmo. É a cooperação, a alegria de ajudar e de poder voar nas asas dos sonhos, da liberdade e da imaginação. É poder brincar, rir, correr, abraçar, gritar, refletir e fantasiar. É imaginar o inimaginável. É conseguir sentir, sem orgulho ou preconceito, a dádiva do amor. É sorrir e fazer sorrir. É alcançar os céus e enxergar as estrelas mais brilhantes. É conseguir descortinar a esperança no meio de toda a infelicidade que existe no mundo. É atingir os horizontes com a extrema força dos sonhos. É sentir a harmonia e querer fazer parte dela. É viver a magia, de forma espontânea, e conseguir sentir, verdadeiramente, cada emoção que o Natal traz consigo. É ver o brilho nos olhos de alguém que teve a ventura de merecer o nosso auxílio. É estar afim de querer igualdade perante todos.
Enfim, é tentar e querer viver uma espécie de utopia que eu gostaria de ver na vida de cada um de vós…
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