Numa terra muito distante, na qual as árvores e os animais falavam, havia uma enorme floresta de pinheiros. Estes eram, extraordinariamente, felizes, à exceção de um. Esse estava cansado de viver na floresta e queria que alguém o cortasse, pois gostaria de ser útil e de passar um Natal bem diferente.
Por essa razão, passava os dias a suspirar e a suspirar, mas nada! Acontece que, um dia, passou por ali uma linda menina que reparou que o pinheiro estava muito triste e perguntou-lhe, de imediato, o que se passava e este, calmamente, lá lhe contou o que lhe ia na alma. A menina, muito surpreendida com tais pensamentos e desejos, respondeu-lhe:
- Não estejas assim! O Natal não vale nada! Odeio o Natal! Aqui estás bem melhor, garanto-te.
O pinheiro, muito desapontado com estas palavras imprevisíveis, disse:
- Mas por que é que dizes isso? O Natal é lindo!
A menina respondeu:
- Tu dizes isso porque não tens a minha família. No Natal, andam todos de um lado para o outro e parecem “baratas tontas”! Não me ligam nada, parece que eu nem existo! Só pensam em prendas e mais nada. Mas sabes… o Natal não são prendas. O Natal é carinho, afeto, amor, alegria, solidariedade e tantos outros sentimentos de que, realmente, necessitamos para viver num mundo melhor. Enfim, o Natal é tudo menos bens materiais. O materialismo só perverte as pessoas, altera-lhes o pensamento. No entanto, hoje em dia, pelo que me apercebo, ninguém se lembra disso. Por isso é que EU odeio o Natal. Se queres que te diga, o Natal nem existe para mim, o que verdadeiramente existe é aquilo a que eu chamo: “a época das baratas tontas”.
O pinheiro, abismado com tamanha argumentação daquela minúscula miúda, ficou sem resposta. Porém, ficou a pensar no assunto e, de repente, teve uma ideia.
- E que tal se fôssemos os dois para o meio da rua demonstrar o que é, realmente, o Natal? Ajudando os que mais precisam, dando-lhes alimento, afeto, carinho, enfim, tudo o que de melhor existe, para que as pessoas possam saber e aprender o verdadeiro sentido da época natalícia?
A menina gostou imensamente da ideia. Cortou o pinheiro e colocou-o no meio da rua principal. Fez parar o trânsito e, com a ajuda de outros amigos, entoaram melodias de Natal e demonstraram a todos a sua perspetiva do Natal: a época mais bonita do ano, pela qual todo o mundo anseia, e que deve ser vivida intensamente e com muita felicidade. E, a partir daí, aquela aldeia passou a viver um Natal bem diferente, ultrapassando as mais remotas tradições.
por Inês Martins e Sara Santos (10ºB)
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