Era uma vez um menino chamado Rafael, muito solitário e triste, cujos pais tinham entrado num processo de divórcio, há pouco tempo, estando, por isso, separados.
Nesse ano, era véspera de Natal e os pais do Rafael pretendiam saber qual o presente que ele mais desejava. Mas, como eles o ofertavam com todos os brinquedos possíveis e imaginários, a fim de recompensar o tempo que ele passava sozinho, o menino não tinha muito por onde escolher. Por essa razão, desejava a única coisa que os pais se recusavam a conceder-lhe: passar o Natal em família…
Porém, o petiz, esperto e pertinaz como era, não se convenceu com a recusa dos pais e andou, durante alguns dias e noites, a planear uma forma de o seu desejo ser realizado. Os pais tinham chegado ao acordo de que, naquele ano, o Rafael iria passar o Natal com a mãe. Sabendo desta decisão, o Rafael, no dia anterior, em que estivera em casa do seu pai, esvaziou os pneus do carro, para que este, no dia de Natal, não pudesse sair de casa.
Já no dia de Natal, em casa de sua mãe, o Rafael arquitetou o seguinte plano: fingiria que estava doente e solicitava, ansiosamente, a presença do pai. A mãe, triste por ver o filho naquele pranto e com algum ressentimento por saber que o Rafael, naquele momento, preferia estar com o pai, levou-o até junto dele. Quando lá chegaram, como era habitual, a mãe levou-o até à entrada da casa, na esperança de que o filho entrasse em casa do pai, uma vez que não pretendia cruzar-se com o ex-marido. Só que desta vez o Rafael, porque era sua intenção uni-los, pediu, encarecidamente, à mãe que o levasse ao colo. E, não podendo recusar o pedido do filho, atendendo ao seu estado, assim o fez, cumprindo o desejo do filho.
Após tocar à campainha, levou-o, então, ao colo pela casa dentro, encarando, inevitavelmente, o seu ex-marido e colocou o Rafael no sofá. Assim que este se sente seguro, com o plano a correr conforme arquitetara, ganhando vida, e para espanto dos pais, corre até à porta e tranca-a. De seguida, implora aos pais que passem, mais uma vez, como sucedera ao longo da sua curta vida, a noite de Natal juntos. Os pais, vendo que não tinham hipóteses e atendendo à tristeza do filho, acabaram por concordar em passar aquele momento natalício, em família.
Como aquela noite não tinha sido previamente planeada pelos pais, não existiam prendas junto à árvore de Natal, nem doces em cima da mesa. Por isso, passaram a noite de Natal junto à lareira a comer biscoitos e a cantar músicas natalícias. Mas esta foi a melhor prenda de Natal para o Rafael, porque nada superioriza o amor dos pais. E, nesse ano, mesmo com o divórcio dos pais, o Rafael concretizou o seu mais intenso desejo: um Natal em família.
Outros anos viriam e o Rafael teria de aprender a lidar com esta nova situação da sua vida. Ingrata, sim, mas igual à de tantos outros miúdos da sua idade. Mas aquele tinha sido assim e, no futuro, com certeza, saberia como agir…
Ana Cristina Almeida, Ana Isabel Silva, Ana Lúcia Silva e Cristiana Pinto (10ºC)
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