Duarte já vive na rua desde os sete anos. No dia vinte e cinco de dezembro faz dez anos. É o terceiro ano que passa sem o amor, sem um abraço caloroso de alguém. É incerto comer, é incerto beber. Vive sempre na incerteza de não poder voltara a acordar. E se não houver amanhã e se não poder voltar a ver o céu outra vez? Mesmo vivendo debaixo da ponte, ele sempre teve vontade de viver e de lutar para que possa existir um amanhã, melhor do que hoje. Duarte vê toda a gente com os pais a viver, a amar, tudo isto na companhia da solidão.Duarte chora por ter sido abandonado pelo pai.Sempre que se lembra da forma como lhe batia, como o fazia sofrer,como abusava dele……tal como fazia com a mulher.Duarte chora a morte da mãe todos os dias e, depois de tudo, Duarte só quer ser feliz e não sofrer como a mãe sofreu.Duarte não guarda a vontade de se vingar do pai, nem de fazê-lo sofrer tal como sofreu,apesar de tudo ele é o pai. Bom ou mau, ninguém pode escolher. Cada um tem a sua forma de sofrer, a sua forma de se expressar. Somos livres de podermos viver tal como queremos,mas ninguém merece ser maltratado como Duarte foi.
............Duarte acabara de acordar, dobrara o cobertor, que encontrara no caixote do lixo, dobrou as caixas e foi ver o céu, algo que o acalmava.Era dia vinte e cinco de dezembro. Duarte, ao contrário das outras crianças felizes,chorava por não ter ninguém para o abraçar, ninguém para lhe dar os parabéns,ninguém estava ali.Mais uma vez, o que o acompanhava era simplesmente a solidão. Duarte estava nervoso e correu para o fim da montanha ,sem se aperceber que caíra ao mar……Mas tudo sossegou quando Duarte abriu os olhos e viu a mãe .Duarte chegara ao céu. Apesar de morrer, estava ao lado de alguém que sofreu tanto como ele. ”Acreditem que as coisas más não acontecem só às outras pessoas.”
Inês Costa 8º B
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