Era véspera de Natal. Numa terra pequeníssima e desconhecida para muitos, praticamente inabitada, um pequeno rapaz chamado Pedro, de 12 anos, fora posto fora de casa.
A família que o tinha acolhido, há sensivelmente 4 meses, apenas o expulsara, porque o pobre rapaz não era do seu agrado. Nem lhe deram hipóteses de se justificar ou de mostrar todo o seu íntimo. Assim, bastou o primeiro sinal de desagrado para aquela ingrata família concluir que este não merecia ocupar, nas suas vidas, o lugar de “filho”.
O rapaz, sem nada nem ninguém em quem se apoiar, não viu outra alternativa senão desenrascar-se pelas suas próprias mãos. Afinal, os seus verdadeiros pais não o tinham querido e, após a morte dos seus avós, há cerca de 5 meses, fora viver com esta família, que não tinha filhos.
Agora, o seu objetivo era único: sobreviver. Por isso, procurava, em todos os caixotes de lixo por que passava, algum pedacinho de comida, tentando guardar o que podia. Os próximos dias, que não sabia quando terminariam, seriam cruéis e difíceis e restava-lhe armazenar uma quantia considerável de substâncias comestíveis, fosse o que fosse, pois só interessava não passar fome.
E a sorte até estava do lado do Pedro, uma vez que encontrara bastante comida. Um desperdício! Como é que as pessoas podiam pôr fora alimentos comestíveis e deliciosos? Um verdadeiro atentado a quem não tem o que comer…
O solitário rapaz passou a noite num beco que encontrara perto de uma casa abandonada, claramente perigoso para um jovem devido aos perigos noturnos, ainda que esta terra fosse pouco habitada. No entanto, ninguém podia esquecer o vandalismo. Mas as preocupações do Pedro eram outras… A noite passou e nada, felizmente, aconteceu ao Pedro.
Chegara o dia de Natal, uma época que contribui para que os corações das pessoas esbanjem alegria e que se espalha um pouco por toda a humanidade e o Pedro, com certeza, não seria exceção. Merecia, pelo menos!...
Um homem de barbas brancas, já idoso, encontrara este infeliz rapaz a chorar pelas ruas da aldeia. Sentiu pena do mesmo e decidiu partilhar a sua casa com ele, porque acreditava que, pelo menos no Natal, todos tinham direito ao seu cantinho acolhedor.
Nesse ano, devido ao grande coração de um singelo homem, o Pedro passou um Natal simples mas feliz, mas o melhor de tudo foi o facto de aquele senhor que o recolhera ter passado a ser a sua nova família. Não tinha muitos recursos, mas conseguiu sustentar o seu menino até ao dia 25 de dezembro de 1664, dia em que morreu o "senhor de barbas brancas". Já agora não descobriram, ainda, de quem se trata? Isso mesmo: este é, também, conhecido pelo mundo fora, sobretudo pelas crianças, por Pai Natal.
Tiago Santos, 10º C
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