Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Afinal, ainda há magia no ar!...


Existia, numa aldeia muito distante, uma menina de cabelos loiros e de olhos claros. Esta, como era costume, nas manhãs geladas de inverno, ia para casa da sua avó, onde passava horas e horas, em frente a uma grande lareira, ouvindo-a a contar histórias sobre a magia do Natal. A netinha, quando ouvia tais histórias, imaginava-se a viver, um dia, uma daquelas histórias espetaculares e mágicas, as quais tinham, sempre, um final feliz, ao contrário do que sucedia na realidade.

No dia 24 de dezembro, como usualmente fazia, a menina dirigiu-se para casa da avó. Sentiu a casa fria e, quando chegou perto da grande lareira, agora apagada, apercebeu-se de que a sua avó não se encontrava lá, como era habitual. Olhou para todos os cantos da sala e chamou, por diversas vezes, a avó, revelando já uma acentuada preocupação. Após os seus inúmeros chamamentos, ecoou uma voz rouca, vinda do quarto. A menina, preocupada, correu em direção a esse compartimento e não acreditou no que os seus olhos viam: a avó estava acamada, naquele quarto escuro, frio e sombrio. De imediato, perguntou à avó o que se passava. A avó, mostrando o seu ar débil devido à doença, fez um esforço e sorriu para a netinha, afirmando que estava doente.

A menina, ao ouvir as palavras da avó e ao verificar o seu estado, saiu da casa e correu o mais que pôde com o intuito de chegar depressa a sua casa, para que a mãe fosse ajudar a sua querida avó que não teve meios com que se socorrer a fim de pedir auxílio. Mal a menina chegou a casa, procurou a mãe e, quando a encontrou, com lágrimas nos olhos, disse-lhe que tinha de se deslocar, urgentemente, a casa da avó. Dito isto, sem perguntas sequer, saíram as duas de casa a correr. Quando chegaram, a mãe aconchegou a avó e perguntou-lhe o que se passava, ao que esta respondeu que não se sentia bem, dado que precisava de tomar os seus medicamentos, mas, com o nevão da noite passada, estes não tinham chegado e a sua saúde fraquejara.

Duvidando do que a velha senhora afiançava, a mãe da menina questionou se os medicamentos eram assim tão importantes. A avó, com uma voz continuamente rouca e triste, respondeu afirmativamente e garantiu, temendo as suas próprias palavras, que, caso não chegassem a tempo, receava o pior e acrescentou que só mesmo um milagre os poderia trazer a tempo.

Ao ouvir tais palavras e comovida pelas lágrimas da avó, a menina pôs-se a correr, irrefletidamente, pela estrada fora. Enquanto corria, pensava consigo própria que tinha de salvar, custasse o que custasse, a avó. Enquanto isso, as outras mulheres preocupavam-se, uma vez que desconheciam o paradeiro da pequenita e já tinham passado algumas horas. A mãe deu-lhe um tempo, porque julgou que ela precisava de descontrair, mas o tempo passava e ela não aparecia, o que era já motivo de grande desassossego.

Anoiteceu. A menina não aparecia, a avó não apresentava sinais de melhoria e aquela mãe consumia-se de inquietação. Enquanto isto, a menina tinha chegado ao correio em busca dos medicamentos da avó. Na aldeia, já amanhecera. A avó tinha piorado e a mãe, sem saber a quem socorrer primeiro, perdia as esperanças. Quando a menina chegou ao quarto da avó, a mãe corre para junto dela, abraça-a e pergunta-lhe como foi possível aquele milagre. A avó, mesmo a transbordar de dores, esforçou-se para se erguer e proferir, com os olhos brilhantes de emoção: “ Foi a magia do Natal!”.

Sara Martins 10º B

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