Estava prestes a chegar a meia-noite do dia 24 de dezembro… O Joaquim, um rapaz com os seus 15 anos, vagueava pela enorme rua escura e fria, coberta de neve, no centro da cidade de Aveiro. Era conhecido por ser irreverente e ignorante, desrespeitando, sobretudo, a sua família.
Ao longo do seu caminho, sem rumo, ia passando pelas casas bem iluminadas que anunciavam o espírito natalício e apreciava as pessoas que se mostravam alegres, desfrutando do Natal com as respetivas famílias. Bem no fundo, sentia um enorme desgosto por saber que a sua família o expulsara de casa. Sentia falta de algo que, anteriormente, não percebia. Contudo, agora, concluía que lhe faltava o amor e a ternura que jamais recebera, desde que se tornara aquela pessoa. Seguiu o seu caminho e, de repente, viu uma luz num lugar bem longínquo. Esta brilhava intensamente e deslocava-se de um lado para o outro. Inicialmente, pensou que fosse uma estrela, mas confundia-lhe aquele intenso movimento. Parou e fixou o seu olhar nessa fascinante luz que se movimentava em torno de um ponto e a sua atração era tal que, sem dar conta, já ia em sua direção. Andava sem parar, caminhava e caminhava… Curiosamente, quanto mais se deslocava em direção à luz, mais esta se afastava, mas não conseguia parar.
De repente, a luz desapareceu e este reparou que se encontrava perto de uma mansão. Avistou a porta que dava acesso a todo o edifício. E este, sentindo-se convidado a entrar neste paraíso, reparou em três portas. Em cada uma, estava estampada uma adivinha e, em cima das portas, uma placa com a seguinte mensagem: “Escolhe o mais importante!”. Na primeira porta, a adivinha era a seguinte: “Qual é a coisa mais comprida e a mais curta, a mais rápida e a mais lenta, a mais divisível e a mais extensa, a mais desdenhada e a mais lamentada, sem a qual nada se pode fazer, que devora tudo quanto é pequeno e vivifica tudo quanto é grande?”. Pensou bastante e concluiu que a resposta era o TEMPO. Já na segunda porta, a adivinha era outra: “Qual é a coisa que se recebe sem agradecer, que gozamos sem saber como, que se transmite aos outros como um segredo e se perde sem dar conta?”. Refletiu, mais uma vez, e percebeu que esta se referia à VIDA. A última adivinha dizia assim: “Qual é a coisa que é muito valiosa na mão, mas não é nada valiosa no coração?”. Concluiu, então, que a resposta deveria ser o OURO.
Após concluir as adivinhas, analisou a sua situação pessoal e percebeu que o tempo não é assim tão importante, pois mais vale viver pouco, mas aproveitando cada momento, do que viver para sempre, de forma infeliz. O ouro também não é essencial, uma vez que o mais importante da vida não pode ser comprado. Deste modo, das três circunstâncias, a mais relevante era, sem dúvida, a vida.
Optou, após este momento de reflexão, por abrir a segunda porta e, de repente, ouviu um barulho. Abriu os olhos e percebeu que tinha sido apenas um sonho. Contudo, apesar de tudo, percebeu que a vida tem de ser vivida em harmonia e que devemos agradecer por esta dádiva, o que não fazia, até então.
Depois deste episódio da sua vida, o Joaquim tornou-se um rapaz impecável, altruísta e passou a ser o melhor rapaz dos arredores. Afinal, há males que vêm por bem…
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