domingo, 23 de outubro de 2011

O «Velho do Restelo» de Camões e «Praia de lágrimas» de Manuel Alegre

A guerra colonial, em muitos aspectos, assemelha-se às expedições portuguesas descritas n’Os Lusíadas. A partida no cais lisboeta, há cinco séculos atrás, em quase nada difere da partida - realizada exatamente no mesmo cais – do século XX.
Talvez seja a sina daquele cais!
A dolorosa sensação de que, provavelmente, seja a última vez que veem as pessoas que amam pela última vez é similar.
Os sentimentos, por muitos séculos que passem, permanecem iguais. Naquele caso, doeu, dói e continuará a doer!
Nos dois casos, essa tal dor é demonstrada em choro, saudade antecipada, pena e até alguma raiva.
Em Jornada de África, Manuel Alegre pretende mostrar que, não importa o tempo que passa, a dor da partida é sempre igual; não importa o quanto somos contagiados pela evolução tecnológica, nada apaga essa dor. Não importa a quantidade de velhos do Restelo que existem, a ambição do Homem irá sempre implicar a morte de muitos inocentes iludidos por uma Ilha dos Amores, aquela ilha que Camões descreveu como a maior das recompensas para os nossos eternos guerreiros, que, na verdade, nunca existiu!


Anabela Pinho
12ºA

Sem comentários: