quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Poema do Navegador: Um outro Adamastor ou o mesmo?

“À morte!” - dizia quem o receava,
Demónio com uma ferida para sarar;
Nas tormentas ninguém passava
Pois lá residia o capitão do mar.

*
“A amargura que vos contente,
Pois aqui não irão passar!”
Nem nas lágrimas o pecador sente,
Aquele que fala e chora sem cessar.

Medo da terra, desprezo ao Céu
“Não faço uso ao que me dão!”
Manifesta aquele que, já sem véu,
Aterroriza o mar em vulcão.

“Quem és tu, criatura penada?”-
Pergunta o navegador ao azul
Que continua parado na água.
“Porque não me deixas seguir para sul?”

Por entre nuvens, a figura apareceu…
Na sua face desaparece a paisagem
E o próprio mundo estremeceu,
A cada passo da sua passagem.

“Adamastor assim me chamam,
Estas são as águas em vigia
Que, neste cabo, ninguém reclama.”
Dizia, alto, o gigante em euforia.

“Sinto em ti um olhar triste!
Nestes mares frios que tu guardas,
Será que, alguma vez, amor sentiste?”-
Perguntava o pequeno por águas passadas.

Ao longe, o sol morto surgia,
Nascendo vermelho no horizonte,
Que com uma morte se confundia,
Trespassado a meio por um monte.

“Diz-me a mim, pequeno gigante,
Neste mar, por mim desconhecido,
e no mundo, por onde viajei bastante,
Existiu alguém por quem tenhas sofrido?”

Lágrimas honradas do céu caíam,
Tal qual chuva num dia de mágoas.
E mares, rios e águas sofriam
Das suas memórias passadas.


“Pelo amor fiquei sem coração,
No castigo do Senhor dos Raios.
Agora, estou preso sem perdão,
Como um dos seus lacaios.”

“Dá-me permissão para passar
E talvez seja a tua dor vingada.
E, assim, irás conseguir alcançar
A tua liberdade desejada.”

“Pode passar, jovem comandante,
Mas, ao longo das suas viagens, não se esqueça…
Depois da vida lhe ser entregue,
Peça a Deus que não se desvaneça,”

“As tuas palavras não irei esquecer.”-
Diz, com esperança e coragem,
E, vendo Adamastor desaparecer,
Vasco da Gama continuou a sua viagem.

*
Falem de Inês de Castro e do seu amor.
De Romeu, Julieta e da sua mútua paixão.
Não irão encontrar, de certeza, maior dor
Que este gigante tem, deveras, no coração!

Fábio Pimenta (12º B)

Na voz de Pessoa …

Escutai, atentai, acordai, meu tão grande e sublime povo!
Embora este seja um Portugal fácil, será este que desejais para vós e para os vossos filhos? Estou certo de que essa não é a vossa vontade, não é esse o vosso desejo, por isso vamos criar um novo Portugal, pois, juntos, teremos a força e a determinação de erguer, de novo, uma nação tão grandiosa, mas que, com o passar do tempo, se vai afundando lentamente, presa às glórias do passado, tal como um homem em plenas areias movediças.
Adquiramos, novamente, o espírito guerreiro, devido ao qual os nossos antepassados partiram em busca do desconhecido e, ao expulsar todo este materialismo, toda esta vaidade e fama do passado longínquo, levantemos esta nossa pátria, criando um novo império.
Afastemos das nossas memórias o Império de Roma, o Império da Grécia, o Império da Europa e o Império Cristão. Ergamos um Quinto Império onde os valores do Homem predominem, um Império Espiritual. Contudo, não nos podemos esquecer de expulsar toda a cobiça, a corrupção e o materialismo que só servem para apodrecer os corações dos Homens.
E quem melhor para liderar este renascer da pátria que o nosso tão desejado e aguardado Encoberto? Só ele, regressando no seu cavalo branco, numa manhã de nevoeiro, seria capaz de nos transmitir a força, a loucura e a esperança que tanto aguardamos.
Tivemos a glória, no tempo de Camões, mas terá chegado? Vamos retirar Portugal dessas águas que o estão a afundar! Por isso, escutai, atentai e acordai, meu tão grande e sublime povo, pois esta é a minha “MENSAGEM”.


André Mesquita (12º B)

Eu sei quem são …

Eu sei que estás aí e
Consigo perceber quem és.
Se eu pedir, tu és capaz
De pôr o mundo a meus pés.

Vem outro alguém cujo brilho,
Que emana do seu olhar, me deixa ver
Que estará sempre ao meu lado,
Mesmo quando me questiono sobre o que hei-de fazer.

Quando estou triste, sem rumo,
Sofro, luto e choro.
Fico agarrada ao vazio
E por todos imploro.

Até que encontro algo em mim
Que me leva a acreditar
Que voarei bem alto
E que ao topo chegarei.

São eles o meu refúgio
Que me embalam no escuro,
Que me permitem sonhar,
Quando me dão aquele puro abraço.

Eu sei que estarão sempre aqui,
Mesmo que me sinta cansada,
Perdida no mundo,
Perdida na minha estrada…

Mas para quê procurar mais,
Quando tudo o que preciso tenho aqui:
O coração repleto de ternura
Devido aos amigos que sempre pedi!


Vanessa Ferreira (12º B)

Indefinição

Há quem peça que a guerra acabe, há quem peça alimentos para acabar com a fome, há quem queira acabar com a poluição e há até mesmo quem dedique a sua vida a lutar por uma causa.
Eu peço que não me abandonem e que me deixem fugir... É apenas uma das inúmeras necessidades contraditórias de um ser humano que nasce, vive e acaba por morrer.
Necessidade de recuperar parte do tudo, encontrando, por fim, a capacidade de largar um sentimento que se apoderou de todos aqueles que disseram «sim» uma mísera vez. Sentimento esse denominado medo... Medo de tudo e de nada, do vazio e da multidão, da luz e da escuridão, do dia e da noite, da visão e da cegueira, do avançar e do recuar, do partir e do ficar, do começar ou do simples acabar.
É a existência da soberba falta de sentido. Quase como uma casa no meio do nada, uma rotunda no meio de um cruzamento, uma praia num dia de Inverno, uma criança perdida da mãe, … é simplesmente a vontade incontrolável do fechar d’uns olhos já saturados …
É unicamente o tempo em que se sente que se pode ganhar tudo e, no instante a seguir, perdoar esse tudo …
É quando se sente a vontade de voltar, lutar e desistir …
É onde se está seguro e, ao mesmo tempo, desprotegido …
É onde nada faz sentido e tudo perde a importância …
É, inexplicavelmente, o momento em que se descobre o limite! ...

Jéssica Costa (10º C)

terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Só me restam vinte e quatro horas


Só me restavam vinte e quatro horas de vida.

Passei a primeira hora a pensar no que fazer e a organizar muito bem o horário.

Naquela altura todos os minutos eram sagrados. Nada podia ficar por dizer ou exprimir. Era tão difícil para mim, como para quem gosta de mim. Mas eu não escolhi.

Depois do horário construído, decidi passar 10 horas com os meus familiares, dizer o que às vezes tinha ficado por dizer. Dizer ou referir, o tal 'gosto de ti' que era raro ser ouvido. Ouvir as gargalhadas, as palavras sábias de quem já sabe o que é a vida. Decidi que fosse primeiro com os meus familiares, pois não gostaria que eles se apercebessem que era uma despedida. Seria muito doloroso e difícil, tanto para eles como para mim. Como já tinha referido.

Seguidamente, determinei um período de relativamente dez horas àquelas pessoas que cruzaram a minha vida e que dela nunca saíram. Pessoas muito importantes e essenciais. É claro que me estou a referir aos amigos! Não lhes disse nada, apesar de ter vivido cada momento com a maior das intensidades. Disse a cada um, à medida que iam embora, um simples e sentido 'gosto de ti'. O quanto me custou, o quanto me senti mal por dentro, fazendo isto tudo sem lhes dar alguma explicação... As tais dez horas foram tão rapidamente passadas, ainda me restavam umas míseras três horas.

Aproveitei-as para escrever, ou melhor, acabar de escrever o meu diário, deixando-o num sítio onde sabia que iriam encontrar - no meu quarto. Também escrevi uma carta às pessoas mais importantes naquele período de tempo. Claro que escrevi aos meus melhores amigos e outras pessoas... Não as entreguei em mão, mas deixei-as com o seu respectivo nome em cada envelope, em cima da minha cama, no meu quarto.

Desesperada que estava, pois poucos minutos faltavam...

Tomei, sem consciência, calmantes. Bastantes calmantes. Chegou o momento, e tranquila e firmemente caí num sono profundo e assustador. Pensei eu que era um sono profundo e talvez eterno... Mas... Aquele meu estado devia-se aos calmantes, e tudo não passou de um mal entendido.

Apesar de tudo, entreguei as cartas às tais pessoas, explicando devidamente o que havia passado.

No fim de contas, posso dizer que foi o dia em que aproveitei e soube aproveitar a vida!

Ana Catarina, 9ºB

Abstracto


A vida joga com a morte

Assim como o poema com a estrofe.

Saudade do futuro,

Mágoa do passado.

O chão não é muito seguro,

Qualquer humano pode sair magoado!

Atenção, atenção!

O destino traçou,

O Homem trocou,

E, acima de tudo, houve a destruição!

Um abismo,

E é aí que me dispo

De tristeza e preconceito,

E existe um defeito.

Mas...

Não há "mas".

Só há perguntas e perguntas,

Enquanto juntas...

Algo que não interessa,

Com alguém que não te mereça!

Ana Catarina, 9ºB

ainda a caçada

Nós também estudámos o conto "Caçada Maldita" de Serafim Leite. Achámos muito importante esta leitura, principalmente porque nos permitiu conhecer melhor o patrono da nossa escola, do qual pouco ou nada sabíamos. Assim, embora o vocabulário fosse muito difícil para nós e a história nem sempre nos conseguisse cativar, conseguimos perceber que a nossa consciência é extremamente poderosa… não conseguimos fugir dela, como o conde Alano, correndo o risco de nos tornarmos fantasmas de nós próprios… É claro que o facto do conto se passar na nossa região também nos agradou.

Assim, Serafim Leite passou a ser um ilustre português do século XX do conhecimento dos alunos do 9º B

Turma 9ºB

"Caçada Maldita"

Nós, a turma do 9ºA, estivemos a fazer uma reflexão e interpretação do texto "Caçada Maldita" de Serafim Leite e observámos que o vocabulário nos dificultou a sua compreensão. Gostámos, especialmente, de a história se passar na nossa região porque conseguimos imaginar como seria, naquela altura, os sítios por onde passamos hoje, regularmente, no nosso dia-a-dia. Com este texto pudemos ver que as pessoas mudam ao longo do tempo, como aconteceu com o conde Alano. A personagem que a turma preferiu foi o cavaleiro branco, pela sua persistência e pelo mistério que representou.

Paulo Leite, 9ºA