quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Texto com base na actualidade e na metáfora «o sal não salga ou a terra não se deixa salgar» a que refere que a terra se encontra corrompida, do Sermão de Santo António aos Peixes, de Padre António Viera. (terra = povo; sal = pregadores (salvação))

Sal? Que sal? O único sal dos dias de hoje é a nossa própria consciência e obrigação moral perante nós e a sociedade. Os dias ‘salgados’ já passaram. Hoje em dia, o sal está em vias de extinção, assim como outras centenas de espécies e recursos naturais devido ao egoísmo do ser humano. A 'terra' corrompeu a Terra, melhor, deixou-se corromper pelos seus vícios, prazeres, inutilidades. A Terra, assim como nós a conhecemos, não tem escapatória. O sal não é suficiente para a quantidade de corruptos e corrupção na Terra.
O poder, hoje, reside no dinheiro. Ou seja, os com vastas quantias de dinheiro são os que detêm mais poder. Quando se tem poder, por norma (e por observação), mais poder se quer, mais dinheiro, o que torna as pessoas gananciosas. Ganância é um dos sete pecados mortais. Então, se o sal de hoje é ganancioso, é claro que vivemos numa corrupção constante. E só apontei um dos sete pecados.
A 'terra', ignorante e cega como na antiguidade, deixa-se ser enganada, corrompida. Já não há volta a dar, infelizmente! Mas continua a esperar a salvação vinda lá de cima, ignorando o facto de que as respostas não caem do céu, mas do cérebro até a boca. Talvez em unidade a 'terra' se salve. Mas como já disse, o hoje não é muito bonito. Num mundo onde a mesma espécie luta entre si, duvido que possa haver união entre inimigos, mas a esperança é a última a morrer.
Felizmente, o sal preservou algumas coisas. Algumas terras, algumas pessoas continuam 'salgadas'. Apesar da corrupção instalada no Mundo, ainda existem sorrisos, abraços, brincadeiras, alegrias, amor, amizade, natureza, esperança que um dia o sal salgue a corrupção.


João de Melo, 11ºB