O amor é o meu ABC…
É o que te faz pensar em alguém
E te faz cada segundo para com ele poderes estar…
Amor é o esquecer da solidão,
É o renascer da morte,
É algo formidável em que dois se tornam um só,
É inexplicável…
Amor é o adoecer da nossa imunidade,
É parar o tempo por um momento,
É ser feliz, mas nem sempre com um sorriso…
É o sentimento que muda a monotonia da vida!
Amor é um sentimento que não se consegue controlar,
É uma mistura de alegria e sofrimento,
É aquilo que se sente,
É uma corrida com obstáculos e sem meta!
Amor é um preenchimento de nós,
É o que nos aquece o coração,
É um sentimento que arde,
É a vida que teima em pulsar.
Amor é algo que se vive,
É a cor que preenche o vazio…
O amor não tem descrição,
É um sentimento em que não há palavras certas ou erradas…
Só Amor, Amor, Amor…
Turma 10º F
Actividade colectiva do Módulo 2- disciplina: Português
terça-feira, 24 de Junho de 2008
terça-feira, 17 de Junho de 2008
“No princípio Ele era o Verbo, e o Verbo encarnou e se fez Homem.”
Quando o Espírito Criador decidiu dar à sua criação a oportunidade de evolução em direcção até Ele, o planeta Terra foi escolhido como local de desenvolvimento das acções que levariam aquela ao aperfeiçoamento.
Lugar verdadeiramente paradisíaco: florestas de verdes celestiais, pontilhadas de mil flores, águas puras e cristalinas, areias a perder de vista, animais que de mil e uma formas interagiam com os ecossistemas existentes. Havia, ainda, um Sol morno e generoso que com amor tudo fazia brotar, que aconchegava essa criação feita de seres humanos e os fazia sorrir e dançar sob os seus raios; e para que os homens não esquecessem a sua proveniência havia, também, a Lua rodeada de miríades de estrelas que cada noite evocavam com doçura o compromisso de encontro com o Criador.
E o homem, em pasmo, encontrou-se neste jardim, neste Éden onde nunca antes tinha estado. Revestido de um corpo físico, perecível – necessário à evolução pretendida – e com necessidades primárias de subsistência este homem olha-se e não se reconhece, não reconhece o outro e de repente sente medo, vacila, dá-se conta que é frágil. Tem uma vaga ideia de que antes tudo era muito mais fácil – ele comunicava sem precisar deste corpo que agora tem; o pensamento fluía de um ser para o outro só pela vontade de comunicar, tudo era sentido sem o menor esforço, viajar por outras dimensões era questão de vontade.
Mas este novo invólucro prende-o, manieta-o e o homem interroga-se olhando-se a si e ao outro com desconfiança. Quer comunicar mas já não sabe, esqueceu a comunicação telepática para a qual todos os espíritos foram feitos. Desconhece totalmente o seu Eu Superior e ignora que é algo mais que aquele corpo que o espartilha. Desenvolve, então uma forma grotesca de comunicação ruidosa, sons que eram significado dos referentes que ia encontrando dia após dia na sua interacção com o planeta onde tinha escolhido evoluir: surge a fala – a primeira forma de comunicação entre os seres humanos – constituída por palavras, significado e significante que, todos usam como um código.
Durante milhares de anos, provendo às necessidades de subsistência meramente física, o homem foi desenvolvendo esta capacidade de interacção com o seu semelhante; combinavam actividades da comunidade, exprimiam gostos, sentimentos, contavam histórias, imitavam os animais que queriam caçar, iludindo-os até às suas armadilhas. Mas apercebeu-se entretanto que com a perecibilidade do seu corpo perecia também tudo aquilo que durante uma vida ele tinha aprendido, todas as lições que poderiam ser úteis a quem viesse, até eram esquecidas as suas proezas de caça que o tinham levado à liderança da tribo onde habitava.
E o homem inventa uma forma rudimentar de manter por gerações a sua história; imita as formas da natureza em símbolos estilizados que pinta nas paredes das grutas onde habitava, nas pedras perto dos seus abrigos, nas peles de animais que guardava religiosamente e que eram conservadas na comunidade geração após geração.
À medida que o homem vai evoluindo e alargando o seu campo semântico sente que os desenhos, as representações que até aí contavam a sua história eram espartilhantes, tal como o seu corpo o fora para si próprio milhares de anos atrás.
Com genialidade inventa símbolos que traduzam com fidelidade tudo aquilo que ele diz ou pensa – significado e significante – e passa a escrevê-los num suporte feito de materiais naturais: folhas ou cascas de árvores. Para desenhar esses símbolos usa pedaços de madeira, penas de aves e mergulha-os em soluções de cores que obtém por esmagamento de bagas ou frutos, ou até da dissolução de alguns minerais com líquidos. E, assim, aparece a escrita. Pela primeira vez o homem começa a poder manter para a posteridade, com muita fidelidade, todo o desenrolar da sua vida, da sua comunidade, do seu império.
Mas este código, esta escrita, traz uma grande desvantagem: tem que ser aprendido durante largos anos para depois poder ser usado com correcção; e o homem continua ainda a ter que providenciar ao sustento do corpo, não só do seu como ao da sua família, não tem tempo para se dedicar à sua interiorização e ao seu consequente uso. A escrita passa, assim, a ser uma arte mágica, um tesouro só de alguns, uma conquista de uns poucos que tinham o privilégio de não ter que trabalhar para manter o seu corpo. Assim sendo, os relatos que são feitos, o que fica exarado para o devir, não são já os relatos de cada um, mas os relatos dos que vêm, observam e interpretam a realidade, os factos. A narrativa já não é exclusivamente o enumerar dos acontecimentos, ela traz à mistura algo daquele que a escreveu: a sua sensibilidade, a forma como os factos o marcaram, a forma como os observou até a sua capacidade ou facilidade para a escrita. A narrativa já não traz a virgindade dos factos, ela foi violada pela mente de quem a escreveu.
À medida que o planeta se vai desenvolvendo e os séculos vão passando a situação mantém-se mas alguns dos humanos vão sendo lentamente atraídos pela magia daquela arte de escrever e de ler o que tinha sido deixado pelos antepassados. A História passa a ser importante para os homens que vão desenvolvendo a noção de que lhes pode ser muito útil saber o que os seus antecessores fizeram ou pensaram; completamente alheados da sua proveniência e no entanto à procura dela, os homens sentem necessidade de serem senhores do código da escrita e da leitura.
Mas esta magia que conferiu poder a quem a conhecia e dominava, este tesouro, era muito bem guardado por um número restrito de pessoas: monges, quase na sua totalidade, que ciosamente escondem os livros – assim passou a chamar-se a um conjunto de folhas com uma narrativa completa, com descrições, com relatos, com histórias, com descobertas que não podiam ser do conhecimento de todos mas só de uns quantos iluminados. Estes livros, que de início eram copiados à mão laboriosamente por homens que passavam quase toda a sua vida ao serviço deste fascínio que era saber mais que os outros, passam a ser feitos por processos mecânicos – eram impressos - sendo produzidos já não um só exemplar de cada vez mas várias cópias, o que possibilitou que mais pessoas tivessem acesso a eles, que mais pessoas pudessem aprender a ler e a escrever.
Fica na história do homem como um marco, o livro que fez com que mais e mais homens quisessem ser detentores do código: A Bíblia Sagrada, ou seja, a narrativa completa da vida de Jesus na Terra bem como todos os ensinamentos de Seu Pai, Deus Todo Poderoso.
No entanto o ler e o escrever continuam a ser apanágio de uma minoria, quem os conhece serve-se deles para dominar todo o poder temporal, para reger o mundo a seu bel prazer. O desconhecimento desta arte conduziu o povo a uma ignorância completa que muito facilitou a subserviência, a aceitação passiva de tudo o que lhe era imposto, o não questionar medidas arbitrárias e tirânicas, a sua manipulação por parte de quem quer servir-se dos outros para obter tudo o que materialmente for possível.
À medida que o tempo passa o homem evolui e torna-se muito numeroso sobre este planeta, expande-se por todos os continentes e os livros acompanham-nos.
Com o advento da Revolução Industrial tudo começa a ser produzido em massa e a até mesmo o ser humano reproduz-se de uma forma acelerada sem paralelo na história da humanidade. Fruto da anterior Revolução Francesa as mentes tinham começado a abrir-se, os direitos dos homens começam a ser questionados e a democracia passa a ser um desejo e uma necessidade. Os livros desempenham mais do que nunca um papel importantíssimo na difusão de todos estes novos ideais e cada vez mais e mais pessoas querem definitivamente saber ler, escrever e ter acesso ao conhecimento que enriquece, que liberta, que faz evoluir.
Surgem Bibliotecas onde as pessoas com menos posses podem ler sempre que o desejarem, podem ter acesso à informação de que necessitam; os governos preocupam-se em construir escolas, para que os homens desde novos possam começar a aprender a ler e a escrever; o direito ao conhecimento, à cultura, passa a ser um dos direitos dos homens, mais veementemente trabalhado.
No dealbar do século XX a informação passa a ser uma necessidade, reconhece-se que o código antigo, a tal arte mágica, da leitura e da escrita, devem ser encarados como uma das maiores descobertas do homem e que esse mesmo código permite que o mundo funcione melhor. As pessoas comunicam umas com as outras apesar de milhares de quilómetros de distância, via carta; a experiência de um país, faz com que outro se precavenha, pois os jornais publicam as últimas notícias, as catástrofes naturais geram ondas de solidariedade que só pelo facto de haver quem as divulgue.
A velocidade da escrita manual torna-se insuficiente para as necessidades de troca de informação entre as pessoas e o homem inventa máquinas que escrevam de uma forma normalizada e muito rapidamente, surgem assim as máquinas de escrever que revolucionam o mundo do trabalho e também a vida de todos aqueles que utilizam a escrita como forma de subsistência.
Mas neste século de alta tecnologia rapidamente o suporte escrito tradicional – papel impresso – deixa de ser o suficiente. É necessário transmitir mais e mais informação num curto espaço de tempo, é necessário armazenar informação num formato mais económico e mais prático que os livros e, de novo, a mente engenhosa do homem inventa o processador de texto electrónico, que funciona com a novíssima invenção: o computador. Textos de centenas de folhas são escritos, copiados e armazenados num abrir e fechar de olhos; e como se os textos não fossem suficientes para uma total compreensão da mensagem que querem transmitir, acompanham-nos centenas de imagens e de sons que, em conjunto, são enviados à volta do globo via internet a mais recente fonte de informação que liga todos os continentes instantaneamente e aos quais qualquer pessoa pode ter acesso desde que possua um computador ligado a uma rede telefónica.
Curiosamente com cada vez mais facilidade para ler o homem verifica que tem cada vez menos tempo para se dedicar a este prazer – que lhe tinha sido incutido pelos seus ancestrais – e que requer tempo, disponibilidade, e uma mente aberta e crítica. E inventa formas de se manter informado enquanto vai desenvolvendo as suas actividades de trabalho diário: aparece a rádio que difunde a voz de outros homens e mulheres e que vai preencher todos os lares, todos os espaços de trabalho, todos os locais de convívio, até os meios de transporte e que trazem as notícias, a música, as entrevistas, os folhetins radiofónicos, perfeitamente formatados à medida de serem consumidos por grandes massas de homens sem terem necessidade de pensar sobre o que estavam a ouvir.
E mais ainda, o homem inventa um meio poderosíssimo e altamente viciante de transmitir todo o tipo de informação: a televisão. O homem já não necessita de sair de casa para assistir a um espectáculo de bailado, um espectáculo de futebol, um concerto de música, um filme. Viaja pelo mundo inteiro, conhece espécies animais de todos os continentes, explora o fundo do mar e os picos das montanhas mais altas, sofre, ri, ama e odeia, com os personagens de telenovelas que passam incessantemente a qualquer hora do dia ou da noite. Sabe a cotação da bolsa de valores, decide em que partido votar nas próximas eleições e tem a certeza de que pode formatar a sua vida por um qualquer modelo que muito lhe agradou, numa novela dobrada proveniente de uma país de terceiro mundo. Vê sem horror as guerras que se passam sempre nos países dos outros, condena a fome que se vive em África, assiste ao massacre de populações inteiras, ao desaparecimento de jovens bebés, sempre sentado no seu confortável sofá com os pés ao alto para descansar das agruras do dia que foi longo; indiferente, inerte, insípido e incolor, já nem pensa, ou melhor não tem mesmo que pensar; toda a informação lhe é entregue ao domicílio, já processada já pensada, já comentada, já digerida: pronta a usar.
Subterrado por todo este mundo de informação que o rodeia o homem deixou de pensar, esqueceu por completo que um dia teve que lutar para poder ser detentor de um código que lhe permitia ler e escrever e descodificar por si próprio criticamente o conteúdo de qualquer informação; tornou-se num ser amorfo, bolorento, vivenciador de experiências em segunda mão, de emoções já vividas por outrem e nunca à sua medida, perdeu a dignidade, perdeu a liberdade, deixou escapar por entre os dedos a democracia, tornou-se ele próprio parte de uma complicada engrenagem voraz, perdeu a qualidade que sempre o distinguiu de todos os outros seres viventes: a de pensar.
É neste estado de embrutecimento generalizado que encontramos a humanidade no final do século XXI. Destruiu a natureza para poder produzir todos os bens materiais de que necessita, dizimou animais, fez lixo de igual cubicagem à do globo.
Mas o homem veio ao planeta Terra para evoluir e o grande Espírito Criador observa de longe o comportamento repreensível da sua prole. Condoí-se de tanta estupidez e dá mais uma oportunidade a estes seres extraviados e mal agradecidos.
Depois de um incêndio de proporções fantasmagóricas num prédio de uma mega cidade do renovado continente Norte Americano, um bombeiro tem que fazer o rescaldo vasculhando o que resta do sumptuoso edifício. Na cave negra e semi destruída, quase sem ver para onde vai, tropeça e cai desamparado sobre as cinzas húmidas. Furioso quer saber o que lhe provocou a queda, volta a sua lanterna para o chão e vê surpreendido uma caixa de metal que tinha resistido ao fogo. Curioso, tenta abri-la; lá dentro, para seu espanto encontra uma coisa de que já tinha ouvido falar mas que nunca vira: um livro. Pelo menos pela descrição que lhe tinham feito e pelas imagens que tinha visto na Net devia ser um livro. Pegou-lhe com muito cuidado e abriu-o mas não conseguiu perceber o que via. O que estava naqueles suportes fininhos pareciam riscos, que formas estranhas... mas tentou com todo o empenho decifrar o que ali estava, Foi quando se começou a aperceber que eram palavras, frases, pequenos textos que tinham sido escritos pela dona daquele terreno que ali tinha feito uma casa no início do século XX. Era uma história de vida contada pela própria pessoa que a escreveu: que fantástico! Ninguém a escreveu por ela, ninguém a imprimiu, foi a própria que a escreveu sem a interferência de ninguém! Mas que coisa artesanal; nem ligado à electricidade, nem ao computador...
Depressa foi mostrar a sua descoberta aos colegas que como ele ficaram fascinados; escrito pela própria! Como foi possível? Ninguém pensou por ela, foi ela mesma que pensou e escreveu, fenomenal!
Nessa noite todos os bombeiros sonharam como seria se escrevessem eles próprios as suas histórias sem que ninguém interferisse, deveria ser muito interessante, seria a verdade pura e simples e seria uma novidade serem eles próprios a escrever. Mas escrever com quê, com que materiais? Rapidamente pensaram que podiam desenhar as letras com um carvão e, à falta de melhor, podiam desenhá-las sobre os panos brancos das camas. E assim foi, desataram a desenhar letras noite fora e depois a ler e a reler as histórias uns dos outros.
Esta novidade foi logo transmitida pelos mais importantes canais de televisão e um pouco por todo o mundo as pessoas começaram a ficar curiosas e a pedir informações àquele quartel de bombeiros sobre como, também, viver a mesma experiência. Os e.mails levavam informações de um canto ao outro do mundo e as experiências de centenas e depois de milhares de pessoas que viviam a mesma sensação eram partilhadas por muitos mais. Uns descobriam novos objectos para escrever, outros descobriam novos suportes, outros contavam histórias maravilhosas e, a pouco e pouco, as pessoas foram saindo de casa, foram deixando os seus sofás, foram dialogando umas com as outras, foram sentindo com mais acuidade que afinal podiam pensar por elas mesmas e ser independentes. Nas casas velhas tudo foi vasculhado na esperança de encontrar livros e muitos apareceram e foram partilhados. Os homens foram de novo em direcção ao campo para ver se descobriam novos suportes para o seu recém adquirido vício: escrever e pensar. Depararam com o lixo e a poluição que tinham feito e devolveram ao campo a sua beleza e a sua dignidade. Os animais a medo começaram a sair dos seus esconderijos e a vir ter com o homem, foram protegidos e usados como temas de escrita para muitos.
À medida que os homens iam comunicando uns com os outros e pensando com espontaneidade, descobriram que conseguiam por vezes comunicar quase sem falar, conseguiam sentir que eram mais que aquele corpo físico e que as suas mentes podiam entrar em contacto sem qualquer suporte escrito. Surpresos desenvolvem avidamente essa capacidade e conseguem mesmo emitir e receber informações na calma de uma tarde descontraída, num banco de jardim, sentados a ler ou a escrever as suas histórias.
Por esta altura já ninguém via televisão, ouvia rádio ou surfava na Net; estava na berra descobrir o que havia dentro de cada um além do corpo.
Um dia o bombeiro que descobriu a caixa, sentiu que ouvia uma voz dentro de si que o fazia sentir muito calmo, muito feliz, muito em paz consigo e com todos os que o rodeavam e quis ensinar todos a ouvi-la. Para isso tinham que estar muito em silêncio, deambular pelos parques campos ou praias completamente descontraídos, tinham que sentir desapego, amor incondicional e acreditar em si próprios. E as pessoas começaram a ouvir essa voz que os guiava que lhes dava paz que os ajudava a resolver todos os problemas. A pouco e pouco o planeta foi mergulhando em silêncio e tornou-se mais brilhante, pois, toda a gente andava a sorrir o tempo todo e a brancura dos dentes fazia o planeta parecer muito mais claro. A pouco e pouco esqueceram-se da escrita e da leitura, porque bastava pensarem uns nos outros para se comunicarem, para transmitirem toda a informação desejada, bastava darem as mãos e as suas mentes uniam-se contando histórias de espantar sem emitir um som sequer. Começaram a falar constantemente com a Voz que vinha de dentro e nunca mais houve gente a chorar, nem gente a sofrer, as guerras terminaram, nunca mais ninguém teve fome, nunca mais foi preciso pedir ajuda, porque todos tinham o necessário para viver. Nunca mais foi preciso roupa, pois os homens deixaram de perceber que estavam nus. Nunca mais foi preciso trabalhar porque a mãe natureza de tão protegida desdobrou-se em abundâncias para todos. Nunca mais foi preciso o corpo porque o homem compreendeu finalmente que era uma centelha divina e que estava unido ao Mestre. A verdadeira comunicação foi estabelecida: o homem redescobriu a sua condição de Criação Primordial e não mais se separou da sua Fonte.
“No princípio Ele era o Verbo, e o Verbo encarnou e se fez Homem.”
Com todo o meu AMOR
Teresa Margarida, professora de Inglês da Escola Secundária Dr. Serafim Leite
Lugar verdadeiramente paradisíaco: florestas de verdes celestiais, pontilhadas de mil flores, águas puras e cristalinas, areias a perder de vista, animais que de mil e uma formas interagiam com os ecossistemas existentes. Havia, ainda, um Sol morno e generoso que com amor tudo fazia brotar, que aconchegava essa criação feita de seres humanos e os fazia sorrir e dançar sob os seus raios; e para que os homens não esquecessem a sua proveniência havia, também, a Lua rodeada de miríades de estrelas que cada noite evocavam com doçura o compromisso de encontro com o Criador.
E o homem, em pasmo, encontrou-se neste jardim, neste Éden onde nunca antes tinha estado. Revestido de um corpo físico, perecível – necessário à evolução pretendida – e com necessidades primárias de subsistência este homem olha-se e não se reconhece, não reconhece o outro e de repente sente medo, vacila, dá-se conta que é frágil. Tem uma vaga ideia de que antes tudo era muito mais fácil – ele comunicava sem precisar deste corpo que agora tem; o pensamento fluía de um ser para o outro só pela vontade de comunicar, tudo era sentido sem o menor esforço, viajar por outras dimensões era questão de vontade.
Mas este novo invólucro prende-o, manieta-o e o homem interroga-se olhando-se a si e ao outro com desconfiança. Quer comunicar mas já não sabe, esqueceu a comunicação telepática para a qual todos os espíritos foram feitos. Desconhece totalmente o seu Eu Superior e ignora que é algo mais que aquele corpo que o espartilha. Desenvolve, então uma forma grotesca de comunicação ruidosa, sons que eram significado dos referentes que ia encontrando dia após dia na sua interacção com o planeta onde tinha escolhido evoluir: surge a fala – a primeira forma de comunicação entre os seres humanos – constituída por palavras, significado e significante que, todos usam como um código.
Durante milhares de anos, provendo às necessidades de subsistência meramente física, o homem foi desenvolvendo esta capacidade de interacção com o seu semelhante; combinavam actividades da comunidade, exprimiam gostos, sentimentos, contavam histórias, imitavam os animais que queriam caçar, iludindo-os até às suas armadilhas. Mas apercebeu-se entretanto que com a perecibilidade do seu corpo perecia também tudo aquilo que durante uma vida ele tinha aprendido, todas as lições que poderiam ser úteis a quem viesse, até eram esquecidas as suas proezas de caça que o tinham levado à liderança da tribo onde habitava.
E o homem inventa uma forma rudimentar de manter por gerações a sua história; imita as formas da natureza em símbolos estilizados que pinta nas paredes das grutas onde habitava, nas pedras perto dos seus abrigos, nas peles de animais que guardava religiosamente e que eram conservadas na comunidade geração após geração.
À medida que o homem vai evoluindo e alargando o seu campo semântico sente que os desenhos, as representações que até aí contavam a sua história eram espartilhantes, tal como o seu corpo o fora para si próprio milhares de anos atrás.
Com genialidade inventa símbolos que traduzam com fidelidade tudo aquilo que ele diz ou pensa – significado e significante – e passa a escrevê-los num suporte feito de materiais naturais: folhas ou cascas de árvores. Para desenhar esses símbolos usa pedaços de madeira, penas de aves e mergulha-os em soluções de cores que obtém por esmagamento de bagas ou frutos, ou até da dissolução de alguns minerais com líquidos. E, assim, aparece a escrita. Pela primeira vez o homem começa a poder manter para a posteridade, com muita fidelidade, todo o desenrolar da sua vida, da sua comunidade, do seu império.
Mas este código, esta escrita, traz uma grande desvantagem: tem que ser aprendido durante largos anos para depois poder ser usado com correcção; e o homem continua ainda a ter que providenciar ao sustento do corpo, não só do seu como ao da sua família, não tem tempo para se dedicar à sua interiorização e ao seu consequente uso. A escrita passa, assim, a ser uma arte mágica, um tesouro só de alguns, uma conquista de uns poucos que tinham o privilégio de não ter que trabalhar para manter o seu corpo. Assim sendo, os relatos que são feitos, o que fica exarado para o devir, não são já os relatos de cada um, mas os relatos dos que vêm, observam e interpretam a realidade, os factos. A narrativa já não é exclusivamente o enumerar dos acontecimentos, ela traz à mistura algo daquele que a escreveu: a sua sensibilidade, a forma como os factos o marcaram, a forma como os observou até a sua capacidade ou facilidade para a escrita. A narrativa já não traz a virgindade dos factos, ela foi violada pela mente de quem a escreveu.
À medida que o planeta se vai desenvolvendo e os séculos vão passando a situação mantém-se mas alguns dos humanos vão sendo lentamente atraídos pela magia daquela arte de escrever e de ler o que tinha sido deixado pelos antepassados. A História passa a ser importante para os homens que vão desenvolvendo a noção de que lhes pode ser muito útil saber o que os seus antecessores fizeram ou pensaram; completamente alheados da sua proveniência e no entanto à procura dela, os homens sentem necessidade de serem senhores do código da escrita e da leitura.
Mas esta magia que conferiu poder a quem a conhecia e dominava, este tesouro, era muito bem guardado por um número restrito de pessoas: monges, quase na sua totalidade, que ciosamente escondem os livros – assim passou a chamar-se a um conjunto de folhas com uma narrativa completa, com descrições, com relatos, com histórias, com descobertas que não podiam ser do conhecimento de todos mas só de uns quantos iluminados. Estes livros, que de início eram copiados à mão laboriosamente por homens que passavam quase toda a sua vida ao serviço deste fascínio que era saber mais que os outros, passam a ser feitos por processos mecânicos – eram impressos - sendo produzidos já não um só exemplar de cada vez mas várias cópias, o que possibilitou que mais pessoas tivessem acesso a eles, que mais pessoas pudessem aprender a ler e a escrever.
Fica na história do homem como um marco, o livro que fez com que mais e mais homens quisessem ser detentores do código: A Bíblia Sagrada, ou seja, a narrativa completa da vida de Jesus na Terra bem como todos os ensinamentos de Seu Pai, Deus Todo Poderoso.
No entanto o ler e o escrever continuam a ser apanágio de uma minoria, quem os conhece serve-se deles para dominar todo o poder temporal, para reger o mundo a seu bel prazer. O desconhecimento desta arte conduziu o povo a uma ignorância completa que muito facilitou a subserviência, a aceitação passiva de tudo o que lhe era imposto, o não questionar medidas arbitrárias e tirânicas, a sua manipulação por parte de quem quer servir-se dos outros para obter tudo o que materialmente for possível.
À medida que o tempo passa o homem evolui e torna-se muito numeroso sobre este planeta, expande-se por todos os continentes e os livros acompanham-nos.
Com o advento da Revolução Industrial tudo começa a ser produzido em massa e a até mesmo o ser humano reproduz-se de uma forma acelerada sem paralelo na história da humanidade. Fruto da anterior Revolução Francesa as mentes tinham começado a abrir-se, os direitos dos homens começam a ser questionados e a democracia passa a ser um desejo e uma necessidade. Os livros desempenham mais do que nunca um papel importantíssimo na difusão de todos estes novos ideais e cada vez mais e mais pessoas querem definitivamente saber ler, escrever e ter acesso ao conhecimento que enriquece, que liberta, que faz evoluir.
Surgem Bibliotecas onde as pessoas com menos posses podem ler sempre que o desejarem, podem ter acesso à informação de que necessitam; os governos preocupam-se em construir escolas, para que os homens desde novos possam começar a aprender a ler e a escrever; o direito ao conhecimento, à cultura, passa a ser um dos direitos dos homens, mais veementemente trabalhado.
No dealbar do século XX a informação passa a ser uma necessidade, reconhece-se que o código antigo, a tal arte mágica, da leitura e da escrita, devem ser encarados como uma das maiores descobertas do homem e que esse mesmo código permite que o mundo funcione melhor. As pessoas comunicam umas com as outras apesar de milhares de quilómetros de distância, via carta; a experiência de um país, faz com que outro se precavenha, pois os jornais publicam as últimas notícias, as catástrofes naturais geram ondas de solidariedade que só pelo facto de haver quem as divulgue.
A velocidade da escrita manual torna-se insuficiente para as necessidades de troca de informação entre as pessoas e o homem inventa máquinas que escrevam de uma forma normalizada e muito rapidamente, surgem assim as máquinas de escrever que revolucionam o mundo do trabalho e também a vida de todos aqueles que utilizam a escrita como forma de subsistência.
Mas neste século de alta tecnologia rapidamente o suporte escrito tradicional – papel impresso – deixa de ser o suficiente. É necessário transmitir mais e mais informação num curto espaço de tempo, é necessário armazenar informação num formato mais económico e mais prático que os livros e, de novo, a mente engenhosa do homem inventa o processador de texto electrónico, que funciona com a novíssima invenção: o computador. Textos de centenas de folhas são escritos, copiados e armazenados num abrir e fechar de olhos; e como se os textos não fossem suficientes para uma total compreensão da mensagem que querem transmitir, acompanham-nos centenas de imagens e de sons que, em conjunto, são enviados à volta do globo via internet a mais recente fonte de informação que liga todos os continentes instantaneamente e aos quais qualquer pessoa pode ter acesso desde que possua um computador ligado a uma rede telefónica.
Curiosamente com cada vez mais facilidade para ler o homem verifica que tem cada vez menos tempo para se dedicar a este prazer – que lhe tinha sido incutido pelos seus ancestrais – e que requer tempo, disponibilidade, e uma mente aberta e crítica. E inventa formas de se manter informado enquanto vai desenvolvendo as suas actividades de trabalho diário: aparece a rádio que difunde a voz de outros homens e mulheres e que vai preencher todos os lares, todos os espaços de trabalho, todos os locais de convívio, até os meios de transporte e que trazem as notícias, a música, as entrevistas, os folhetins radiofónicos, perfeitamente formatados à medida de serem consumidos por grandes massas de homens sem terem necessidade de pensar sobre o que estavam a ouvir.
E mais ainda, o homem inventa um meio poderosíssimo e altamente viciante de transmitir todo o tipo de informação: a televisão. O homem já não necessita de sair de casa para assistir a um espectáculo de bailado, um espectáculo de futebol, um concerto de música, um filme. Viaja pelo mundo inteiro, conhece espécies animais de todos os continentes, explora o fundo do mar e os picos das montanhas mais altas, sofre, ri, ama e odeia, com os personagens de telenovelas que passam incessantemente a qualquer hora do dia ou da noite. Sabe a cotação da bolsa de valores, decide em que partido votar nas próximas eleições e tem a certeza de que pode formatar a sua vida por um qualquer modelo que muito lhe agradou, numa novela dobrada proveniente de uma país de terceiro mundo. Vê sem horror as guerras que se passam sempre nos países dos outros, condena a fome que se vive em África, assiste ao massacre de populações inteiras, ao desaparecimento de jovens bebés, sempre sentado no seu confortável sofá com os pés ao alto para descansar das agruras do dia que foi longo; indiferente, inerte, insípido e incolor, já nem pensa, ou melhor não tem mesmo que pensar; toda a informação lhe é entregue ao domicílio, já processada já pensada, já comentada, já digerida: pronta a usar.
Subterrado por todo este mundo de informação que o rodeia o homem deixou de pensar, esqueceu por completo que um dia teve que lutar para poder ser detentor de um código que lhe permitia ler e escrever e descodificar por si próprio criticamente o conteúdo de qualquer informação; tornou-se num ser amorfo, bolorento, vivenciador de experiências em segunda mão, de emoções já vividas por outrem e nunca à sua medida, perdeu a dignidade, perdeu a liberdade, deixou escapar por entre os dedos a democracia, tornou-se ele próprio parte de uma complicada engrenagem voraz, perdeu a qualidade que sempre o distinguiu de todos os outros seres viventes: a de pensar.
É neste estado de embrutecimento generalizado que encontramos a humanidade no final do século XXI. Destruiu a natureza para poder produzir todos os bens materiais de que necessita, dizimou animais, fez lixo de igual cubicagem à do globo.
Mas o homem veio ao planeta Terra para evoluir e o grande Espírito Criador observa de longe o comportamento repreensível da sua prole. Condoí-se de tanta estupidez e dá mais uma oportunidade a estes seres extraviados e mal agradecidos.
Depois de um incêndio de proporções fantasmagóricas num prédio de uma mega cidade do renovado continente Norte Americano, um bombeiro tem que fazer o rescaldo vasculhando o que resta do sumptuoso edifício. Na cave negra e semi destruída, quase sem ver para onde vai, tropeça e cai desamparado sobre as cinzas húmidas. Furioso quer saber o que lhe provocou a queda, volta a sua lanterna para o chão e vê surpreendido uma caixa de metal que tinha resistido ao fogo. Curioso, tenta abri-la; lá dentro, para seu espanto encontra uma coisa de que já tinha ouvido falar mas que nunca vira: um livro. Pelo menos pela descrição que lhe tinham feito e pelas imagens que tinha visto na Net devia ser um livro. Pegou-lhe com muito cuidado e abriu-o mas não conseguiu perceber o que via. O que estava naqueles suportes fininhos pareciam riscos, que formas estranhas... mas tentou com todo o empenho decifrar o que ali estava, Foi quando se começou a aperceber que eram palavras, frases, pequenos textos que tinham sido escritos pela dona daquele terreno que ali tinha feito uma casa no início do século XX. Era uma história de vida contada pela própria pessoa que a escreveu: que fantástico! Ninguém a escreveu por ela, ninguém a imprimiu, foi a própria que a escreveu sem a interferência de ninguém! Mas que coisa artesanal; nem ligado à electricidade, nem ao computador...
Depressa foi mostrar a sua descoberta aos colegas que como ele ficaram fascinados; escrito pela própria! Como foi possível? Ninguém pensou por ela, foi ela mesma que pensou e escreveu, fenomenal!
Nessa noite todos os bombeiros sonharam como seria se escrevessem eles próprios as suas histórias sem que ninguém interferisse, deveria ser muito interessante, seria a verdade pura e simples e seria uma novidade serem eles próprios a escrever. Mas escrever com quê, com que materiais? Rapidamente pensaram que podiam desenhar as letras com um carvão e, à falta de melhor, podiam desenhá-las sobre os panos brancos das camas. E assim foi, desataram a desenhar letras noite fora e depois a ler e a reler as histórias uns dos outros.
Esta novidade foi logo transmitida pelos mais importantes canais de televisão e um pouco por todo o mundo as pessoas começaram a ficar curiosas e a pedir informações àquele quartel de bombeiros sobre como, também, viver a mesma experiência. Os e.mails levavam informações de um canto ao outro do mundo e as experiências de centenas e depois de milhares de pessoas que viviam a mesma sensação eram partilhadas por muitos mais. Uns descobriam novos objectos para escrever, outros descobriam novos suportes, outros contavam histórias maravilhosas e, a pouco e pouco, as pessoas foram saindo de casa, foram deixando os seus sofás, foram dialogando umas com as outras, foram sentindo com mais acuidade que afinal podiam pensar por elas mesmas e ser independentes. Nas casas velhas tudo foi vasculhado na esperança de encontrar livros e muitos apareceram e foram partilhados. Os homens foram de novo em direcção ao campo para ver se descobriam novos suportes para o seu recém adquirido vício: escrever e pensar. Depararam com o lixo e a poluição que tinham feito e devolveram ao campo a sua beleza e a sua dignidade. Os animais a medo começaram a sair dos seus esconderijos e a vir ter com o homem, foram protegidos e usados como temas de escrita para muitos.
À medida que os homens iam comunicando uns com os outros e pensando com espontaneidade, descobriram que conseguiam por vezes comunicar quase sem falar, conseguiam sentir que eram mais que aquele corpo físico e que as suas mentes podiam entrar em contacto sem qualquer suporte escrito. Surpresos desenvolvem avidamente essa capacidade e conseguem mesmo emitir e receber informações na calma de uma tarde descontraída, num banco de jardim, sentados a ler ou a escrever as suas histórias.
Por esta altura já ninguém via televisão, ouvia rádio ou surfava na Net; estava na berra descobrir o que havia dentro de cada um além do corpo.
Um dia o bombeiro que descobriu a caixa, sentiu que ouvia uma voz dentro de si que o fazia sentir muito calmo, muito feliz, muito em paz consigo e com todos os que o rodeavam e quis ensinar todos a ouvi-la. Para isso tinham que estar muito em silêncio, deambular pelos parques campos ou praias completamente descontraídos, tinham que sentir desapego, amor incondicional e acreditar em si próprios. E as pessoas começaram a ouvir essa voz que os guiava que lhes dava paz que os ajudava a resolver todos os problemas. A pouco e pouco o planeta foi mergulhando em silêncio e tornou-se mais brilhante, pois, toda a gente andava a sorrir o tempo todo e a brancura dos dentes fazia o planeta parecer muito mais claro. A pouco e pouco esqueceram-se da escrita e da leitura, porque bastava pensarem uns nos outros para se comunicarem, para transmitirem toda a informação desejada, bastava darem as mãos e as suas mentes uniam-se contando histórias de espantar sem emitir um som sequer. Começaram a falar constantemente com a Voz que vinha de dentro e nunca mais houve gente a chorar, nem gente a sofrer, as guerras terminaram, nunca mais ninguém teve fome, nunca mais foi preciso pedir ajuda, porque todos tinham o necessário para viver. Nunca mais foi preciso roupa, pois os homens deixaram de perceber que estavam nus. Nunca mais foi preciso trabalhar porque a mãe natureza de tão protegida desdobrou-se em abundâncias para todos. Nunca mais foi preciso o corpo porque o homem compreendeu finalmente que era uma centelha divina e que estava unido ao Mestre. A verdadeira comunicação foi estabelecida: o homem redescobriu a sua condição de Criação Primordial e não mais se separou da sua Fonte.
“No princípio Ele era o Verbo, e o Verbo encarnou e se fez Homem.”
Com todo o meu AMOR
Teresa Margarida, professora de Inglês da Escola Secundária Dr. Serafim Leite
A felicidade de um sorriso
Encontro-me na sala de aula e,
Vejo a professora a mexer os lábios,
Mas só meu corpo se encontra neste local.
Nada ouço, estou longe, bem longe daqui...
Encontro-me a voar num céu raiado.
Um cenário etéreo este,
À semelhança das divindades, daqui tudo observo.
Eu não tenho asas nem uma auréola,
Não sou santa e nunca o serei,
Porém, gosto de observar a felicidade
Expressa na cara dos outros.
Considerem-me um anjo da guarda se assim quiserem,
Mas não há nada de mais belo neste mundo
Que o sorrir de felicidade e satisfação
De quem verdadeiramente o merece.
Aqui sempre estarei quando for preciso,
Nos piores ou melhores momentos
Para fazer esse sorriso renascer,
Pois só assim sinto que existo.
Adriana Rodrigues
12º F
Vejo a professora a mexer os lábios,
Mas só meu corpo se encontra neste local.
Nada ouço, estou longe, bem longe daqui...
Encontro-me a voar num céu raiado.
Um cenário etéreo este,
À semelhança das divindades, daqui tudo observo.
Eu não tenho asas nem uma auréola,
Não sou santa e nunca o serei,
Porém, gosto de observar a felicidade
Expressa na cara dos outros.
Considerem-me um anjo da guarda se assim quiserem,
Mas não há nada de mais belo neste mundo
Que o sorrir de felicidade e satisfação
De quem verdadeiramente o merece.
Aqui sempre estarei quando for preciso,
Nos piores ou melhores momentos
Para fazer esse sorriso renascer,
Pois só assim sinto que existo.
Adriana Rodrigues
12º F
Talvez sejam murmúrios
Talvez sejam murmúrios a inquietar a minha pequena caixa de respiração, talvez seja só uma pequena brisa de silêncio e de palavras a inundar-me mas dão-se os nós que apertam a língua e perde-se a voz por eufemismos que escorrem pela linha que nos atravessa.
Perdeu-se o olhar por aquele todo de bocas, permanecendo o arranhar do nada.
Cátia Oliveira 10ºB
Perdeu-se o olhar por aquele todo de bocas, permanecendo o arranhar do nada.
Cátia Oliveira 10ºB
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