quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Nunca peças o que não podes dar…

A vestir-te
o corpo
nu

ou a sede
que é minha

ou a seda
que és tu

David Mourão-Ferreira, Música de Cama, Lisboa, Editoral Presença, 1994


Gostar de um texto intemporal, de eterno consenso como Os Lusíadas ou uma simples quadra de F. Pessoa, é tarefa banal e previsível. Porem, descobrir num cantinho de um livro esquecido um tesouro poético é prémio suficiente para fazer do gostar exclusivo algo de pessoal e dificilmente transferível. E porque não fazer disto objecto e critério de escolha ou selecção? Que a poesia é fruição estética isso é matéria de básica natureza: que o usufruto seja à nossa feição é coisa que se requer e se demanda.
Este despojado texto de David Mourão-Ferreira avulta pela nobreza dos sentidos, pela elegância e fruição do belo. A concisão das ideias, em parcimónia de palavras numa estrutura simples, conjuga a possibilidade de dizer o banal de forma sublime. Nunca o corpo e o desejo foram tão escassamente sugeridos e tão sobejamente exaltados. Note-se a estrutura tripartida do poema a colocar na disjuntiva o objecto do desejo após o desejo ele mesmo. A “sede” é a metáfora do desejo e a “seda” a sugestão táctil, também ela na mesma notação estilística. Se a primeira estrofe introduz a noção de nudez, a segunda ostenta a ideia desejo e a última a sensação do toque, do afago. Repare-se ainda no paralelismo anafórico de “ou a” e “que é” imprimindo um ritmo de tecitura poética repetida mas não repetitiva. O recurso de duplicação transmite a musicalidade necessária e característica dos textos poéticos e é reforçado pela vogal u, a iniciar e a concluir a descrição. Um só verbo, “vestir-te”, em nada induz actividade senão a simples existência apreciativa: daí a presença obsessiva dos pronomes que remetem para o sujeito e objecto poéticos e dos substantivos que os exibem. O texto é discursivo e estende-se apenas numa única oração sem qualquer sinal de pontuação o que lhe concede uma liberdade em edifício de possibilidades ilimitadas por notações rítmicas. Cada leitor faz as pausas onde mais a sua intuição a isso o obrigue ou se sinta inclinado. E essa é a facção mais importante de um qualquer texto: a sua capacidade de fazer saltar emoções, daquelas que existem tácitas ou reprimidas, para o exterior da capacidade de exaltação estética. Que todos sejam capazes de sentir é coisa pragmática, mas para que a capacidade de o fazer seja possível é necessária a solidez de quem saiba trabalhar palavras para as fazer estímulo de adesão de sentimentos ou emoções. É este o caso.
Bem que este pequeno poema faz apelo para aquilo que é banal nas relações humanas mas carece de exaltação elegante. É que isto de discorrer sobre ligações carnais de maneira airosa e capaz de as tornar objecto de adesão e identificação sublimada é faina para minorias, não mais inspiradas que as do comum leitor, mas daqueles que manejam a linguagem de forma a extrair dela as potencialidades expressivas pela beleza das palavras e das ideias.

Carlos Marques

terça-feira, 29 de Abril de 2008

Resposta ao desafio

Pois é, vocês lançaram o desafio e eu, porque ‘nessa’ (na vossa) não tinha entrado ainda, estou a responder.

Não porque não tenha mais nada que fazer. Isso, eu tenho. Mas porque, desconfio, que quem tem a ver com o dito blogue é gente boa. Logo, quero juntar-me.

Aqui vai: um pequeno vídeo. Sobre a mulher, nas suas várias (tantas) vertentes…

Porque escolhi?

Porque gosto. Porque é lindo. Porque, todas as vezes que o vejo me emociono.

Porque retrata, de forma extraordinária, aquela que, dizem, é complicada, difícil de entender, misteriosa, sensual, linda, apaixonada, rebelde, forte, ingénua, fraca, lutadora, inocente, perspicaz, contraditória, mas sempre, sempre, MULHER.

Fiquem a ver. Desfrutem.

Irene Guimarães.

São João da Madeira, 29 de Abril de 2008.

Ora vê aqui!

ou
http://www.youtube.com/watch?v=nUDIoN-_Hxs

quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Todos os homens são maricas quando estão com gripe

Em resposta ao "Experimenta desafiar-te":

Quando li o convite "Experimenta desafiar-te", pensei logo num poema de que gosto imenso, tanto pela forma como está escrito, como pelo tema: "Devia morrer-se de outra maneira", de José Gomes Ferreira. Mas, logo depois, lembrei-me de um outro poema que ouvi pela primeira vez nos Paços da Cultura, através do projecto "Poesia à mesa", ainda este ano. Pode parecer estranho, mas não fiquei num dilema: decidi-me, sem dúvida alguma, pelo "Todos os homens são maricas quando estão com gripe", de António Lobo Antunes. Por dois motivos, a saber: primeiro, porque queria mostrar que este grande escritor português também tem o seu lado sentimental (como disse José Fanha, quando o declamou na "Poesia à Mesa"). Não o mostra, é verdade, mas é tão espantoso como todos os outros "lados". O segundo motivo prende-se com o tema: nem todos os poemas de amor precisam de ser "lamechas" para serem belos.

Manuela Almeida, 12ºA


Pachos na testa
Terço na mão
Uma botija
Chá de limão
Zaragotoas
Vinho com mel
3 aspirinas
Creme na pele

Dói-me a garganta
Chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer
Mede-me a febre
Olha-me a goela
Cala os miúdos
Fecha a janela

Não quero canja
Nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes
Não vales nada
Se tu sonhasses
Como me sinto
Já vejo a morte
Nunca te minto

Já vejo o inferno
Chamas diabos
Anjos estranhos
Cornos e rabos
Vejo os demónios
Nas suas danças
Tigres sem litras
Bodes de tranças

Choros de coruja
Risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
Que foi aquilo
Não é chuva
No meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes
Fica comigo

Não é o vento
A cirandar
Nem são as vozes
Que vêm do mar
Não é o pingo
De uma torneira
Põe-me a santinha
À cabeceira

Compõe-me a colcha
Fala ao prior
Pousa o Jesus
No cobertor
Chama o doutor
Passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes
Nem dás por nada

Faz-me tisanas
E pão de ló
Não te levantes
Que fico só
Aqui sozinho
A apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer

Experimenta desafiar-te.

Escolhe um poema da tua eleição, do teu autor preferido, e diz das razões da tua escolha. Envia para o nosso mail. Porque a capacidade de gostar também tem algo de criativo mostra-nos, a todos, esse teu acto recriador. E claro. Este repto não é só para alunos: professores e funcionários estão também na mira.
Os gerentes :)

Vejo-te crescer…

Por entre linhas se desenha uma história comum. Pegadas contidas e todo um caminho pisado.
Ver lá atrás confere-me, agora, saudades! Saudades de não ter noção; de não perceber o suficiente ou de não sentir de modo tão intenso.
Já não há sonho! Já não há querer ou força com o mesmo desígnio de antes. Já não é possível admirar ou descobrir daquele jeito, com o mesmo regozijo.
Agora, é já possível sentir a fragmentação dos dias em partes insípidas, tantas vezes desguarnecidas.
O Inverno que faz lá fora pode, agora, incomodar. Não é como antes, que o ardor da pele e o febril temperamento toldavam qualquer rasto de frio; mudavam qualquer temperatura e permitiam que a decadência das árvores e flores fosse sorvida com tão descomunal deleite.
Reparo no tronco velho e cansado daquela árvore. A mesma que, tantas vezes, nos abrigou. Agora está velha e decrépita. Cedeu, também ela, à passagem inexorável do tempo. Erguida, quase quebrada, dá um ar de sofrimento atroz. Já ninguém pára para a admirar ou dela se serve para se abrigar da chuva. Já não há quem brinque por perto ou quem goste de trepar seus galhos, toscos e instáveis. Morreu, ainda que ali esteja: perdida, zangada…abandonada...


Pabla Marques s1c

Vai-se em frente, esforça-se e resiste-se.


(foto: sofia)

Sabes, já não dá para explicar mais.
Foi uma vida cheia de rodeios, uma explicação num dia, outra no outro.
Não,eu sei que a perfeição não existe.
Gritavas como se o mundo fosse acabar, e talvez irá, mas não hoje nem agora.
Eram precisos dois minutos para saíres porta fora e deixares de te complicar, digo eu.
Nunca te segui, nunca fui atrás tentar saber onde te metias a uma hora daquelas. É verdade que também nunca perguntei, sempre pensei que nem tu próprio saberias.
Tinha o instrumento ali e os desenhos acolá, passava horas a observar. Eram das poucas coisas que me faziam sentir melhor quando fugias. Nem eu entendo.
Da ultima vez, não levaste a máquina. Admirei-me.
Mas sim, ainda permanece no mesmo sitio onde a deixaste amor, até agora nunca me atrevi a pegar nela.





Sofia Moreira 10ºB

domingo, 20 de Abril de 2008

Porque a escrita criativa que outros criam, se recria em nós, vale a sua exposição.

PORQUE
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen


ESCUTO
Escuto mas não sei
Se o que oiço é o silêncio
Ou deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco

Sophia de Mello Breyner Andresen

A Moça Tecelã
Por Marina Colasanti

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
Naquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

Cristina Reis
2008-04-17

sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Como uma brisa agitada: fulminante paixão.

Como uma brisa agitada: fulminante paixão.
Penetra envolvendo,
Tocando ansiosa a madeixa
Suspensa nos sopros da noite fria.

O perene mistério consome por tanto pensar-te.
Atravessa, como um suspiro, céus e mares [E, corações]
Aqueces-me por existires, esfrias: requinte ilusão!
Sombras, apenas, de gestos inalteráveis.

E tudo o que passa, só parece ficar, não fica!
E tudo é símbolo e analogia:
A brisa que toca, ávida de desejo; a maré vasta.
Oh Mundo confranges! Compreendo-te
Até ás entranhas da compreensão e desprezo-te!

Porque nada é o que parece ser.
E nada do que quero, devo-o querer.
Tu e eu… não somos o que dizemos ser.

pabla marques s3a

A minha memória revolucionária

Certo dia, sentei-me num banco de um jardim a observar. Já me tinha esquecido destas pequenas coisas da vida. Senti, de imediato, uma espécie de desilusão a subir-me à cabeça. Enervei-me comigo mesmo, enervei-me ao ver no que me tinha tornado, transformado numa coisa que nunca desejei, que sempre repulsei. Tomei uma decisão. Impus uma máxima a mim mesmo pela qual jurei seguir e nunca esquecer até ao fim dos meus dias. Peguei no meu lápis e no meu bloco e escrevi estas coisas que nunca irei esquecer e que irão formar uma verdadeira pessoa e, desta forma, nunca esquecerei quem fui, quem sou e quem serei:

Que se revolucione aquele sentimento dum instante memorável, aquela lembrança esquecida duma brisa num dia de calor, aquele dia de inverno fechado em casa a ver a chuva a cair, aquelas horas passadas sentado na sombra duma árvore ou aquela tão desejada memória enterrada no meu ser e finalmente sair e recordar aquilo que me põe sempre um sorriso na cara. Aquela melancolia provocada por falta de momentos iguais, a saudade de alguma coisa, aquela primeira dentada num fruto desconhecido, o maravilhoso sentimento do ar a bater na minha cara, as brincadeiras de criança, o amor persistente de um casal idoso, aquele sentimento primaveril de ver uma flor nascer, aquele pôr-do-sol numa praia deserta com as mãos enfiadas a areia, as folhas avermelhadas do outono a pairar diante os meus olhos, o hipnotismo das labaredas de fogueira caseira, o aperto de mão a um velho amigo, o primeiro cão preto que me dava sorte, aquele primeiro amor.
Que se revolucione o desejo de nunca esquecer isto e muito mais, que se revolucione a memória das coisas boas, que se revolucione a capacidade de libertar a memória de coisas inúteis. Que se revolucione a minha força para escrever muitos mais sentimentos destes e que nunca se esgotem e se revolucionem em todos os seres.
Que se revolucione tudo isto através de qualquer forma existente ou que existirá para que eu, se ainda vivo, diga: afinal o mundo não está perdido.


joao melo
10ºB

quarta-feira, 9 de Abril de 2008

"Stop in time"

The first...there's nothing like the first. Be that. I want, I have. You weren't, I prayed. You are, because I've wanted. I know you know, I am special. I know you know, I'm different. You know I know, you're bad. You know I know, you love me. The first, will not be the last, so come or go fast. I like to be unic, and you haven't make me feel like it. Hurry up, you're late but not too late. Come, come! I like the waiting, makes me feel on fire, burning. I'm saying: Hurry, hurry! My flame is losing the strenght. Hold me. There is lighthing in your hugs, in your kisses, in your words. Are you coming or can I go?

Ana Rita Silva
10ºB

Afinal foi com M

Afinal foi com M

A professora pediu um poema

e poema é com P.

Papoilas, piano,

padeiro, publicidade,

pateta, peneirento?!

Pensei, processei e protestei:

pois nem com pós de perlimpimpim eu poemei !

Mas, as mãos no mar molhei e

no mp3 a música mudei.

Marinheiros no mar maravilhoso e marinho;

Marmelada de marmelo na minha malga magenta;

Mulheres e meninos aos milhares me miravam.

Ai que memória de maluca!

Mal me vi neste emaranhado de émes

Milhões de milhafres no milho se manifestavam.

Maravilhosos Malmequeres ou Margaridas me mimavam e

De mangas molhadas no mar que me mentia,

Mudei-me do Mundo mágico e mentiroso para o

Meu: magestoso, musical, modesto e mais moderado.

A professora pediu um poema

e poema também é com M.


Cátia Silva

Porque

Porque quero dizer-te que tudo está errado assim desta maneira, porque sei que nem vais prestar atenção.
Porque quero gritar bem alto e libertar de mim aquele sufoco preso cá dentro.
Porque quero esboçar numa tela, algo que nem sei como expressar, mas quero.
Porque quero levantar-me cedo e procurar-te pela casa, porque sei que não te vou encontrar.
Porque quero atirar a roupa pela janela, e ficar assim, nua, perdida por aí, por uma casa que agora desconheço.
Porque quero dizer que já chega, que já nada faz sentido, mas há tanta coisa que ainda o faz.
Porque quero ser alguém que nunca fui, mas não quero livrar-me do que sou.
Porque vou correr e espernear até me achar meramente estúpida e parar com vergonha.
Porque quero não querer nada disto, mas quero.
Porque quero entender os meus actos e gostos dos últimos tempos, mas não consigo.
Porque quero deixar de me sentir vazia, mas não sei encher-me.
Porque quero ter-te aqui, mas não vou correr para te apanhar.
Porque quero mesmo parar por aqui, e é isso que vou fazer.
.Acabei agora mesmo.
Nunca mais te quero ver num retrato de alguma daquelas vezes que te quis fotografar.
Nem tão pouco quero saber da existência desse retrato.

Compreende-me.

Sofia Martins

quarta-feira, 2 de Abril de 2008

“O primeiro”

Não há dúvidas que sem ele não éramos humanos; éramos pedras frias. Não há dúvidas que é ele que nos faz levantar da cama todos os dias e viver.
Nunca tinha percebido quem eu realmente era e do que era capaz antes de mo darem a conhecer. Quando finalmente o olhei olhos nos olhos, senti curiosidade. (O que é isto que sinto?) Quem é ele? Ele sentiu o mesmo e perguntou-me quem era. (O que é isto que sinto?) Quem sou eu?
Não sabia que podia ser interessante. Não sabia que alguém podia amar quem não conhece. Aliás, não sabia amar e muito menos o que era o amor. Era apenas uma menina que até então só havia brincado com bonecas, com as amigas, e aos polícias e ladrões, com os amigos.
Já nada disto me interessava. Descobrira outros prazeres. Adorava olhar para ele e escutar os seus passos. Não sabia que ouvir os passos de alguém podia ser tão reconfortante. (O que é isto que sinto?) Olhá-lo era como parar no tempo. Já as bonecas me aborreciam e correr atrás dos rapazes (que não ele) era coisa do passado.
Já não sou aquela criança que grita e corre. Sou uma pedra, incapaz de gritar. Sou muda, mas tenho pernas e caminho. O meu tronco, porém, não passa de pedra, sem voz. (O que é isto que sinto?)


“Monólogos”

Sei, sem dúvida que sei.
Sei que o que dizes não se escreve e que gostas que te neguem. Sei, porque também eu sei como gosto.
Sei que padeces de algo e que algo ainda te faz falta. Sei, porque eu também sei que padeço.
Sei que sabes que sei e que, sem mim, não eras alguém. Sei, porque também eu sei que sem ti não era ninguém.
Sei, sem dúvida que sei…Só não sei falar.


“Muda”

Sou muda, mas falo. As palavras são como sons que embalam e deitadas estão sobre o papel. Este, por sua vez, é o microfone que expande a minha voz até ti e até ao Mundo. O meu melhor amigo vive dentro de mim e quando ele se apaixona, salta-me para a boca, apodera-se da minha língua morta e dá-lhe vida. Porém, na realidade, conheço-me, e sei que essa vida não passa de uma ilusão passageira, mas Mush existe mesmo. Ele é o único que me conhece de verdade, sabe que posso ser ingénua, mas também sabe que de parva nada tenho, e que sei que posso ser, e, como sei que posso, deixo a minha mão relaxada perto de lápis afiado e de um microfone ligado, esperando a sua aparência brusca, como sempre. Vejo o lápis como a língua viva que Mush ressuscita do silêncio e como o tronco de pedra sem voz, que fala, não tem pernas, mas caminha, não tem asas, e voa. Vejo a solidão como refúgio das suas fantasias, mas logo me apercebo da verdade. Não sou Branca, não sou Petra, nem mesmo a Cinderela. Sou o verdadeiro amor de Mush: Alice.

Ana Rita Silva. 10ºB
E começa esta paródia enigmática. Deparo-me a trocar frases com este recente conhecido meu, de nome For. Este comerciante holandês cantava e lançava rimas para o ar à espera que alguém as apanhasse. Ah ah, que ingénuo que é! Mas era neste preciso momento que o vosso humilde narrador era atacado por objecto não identificado de cor azulada que se deslocava a uma velocidade indeterminável, pelo menos para mim. Por sorte, consigo-me desviar e continuo com esta minha interpretação de acontecimentos.
A anti-socialização do "símius temporários", mais conhecido por Quirino, atinge o seu auge nesta sala de conversação em que repousavamos duma longa viagem e de um ecplise eléctrico da divisão. Mas que belo eclipse, perfeito! Os raios de luz daquela espécie de bola deformada não abrangiam qualquer milímetro do solo de madeira. Mas que belo momento era este!
Terrivelmente, o inesperado para mim surge. Greg atinge o assunto e o ar torna-se lentamente mais denso, mais pesado. Com uma luta de palavras tão perspicaz, como é que se transformou tão enfadonha? Como? Pergunto-me a mim mesmo vezes sem conta como seria se o significado das palavras fosse completamente diferente, isso decerto seria mais divertido que aquela personagem, Greg! Bah. Mas para minha alegria, o holandês surge e rouba o tópico desta conversa e torna-se ele o centro glorificado. Mas existem sempre consequências. O nosso companheiro de viagens, um pit bull chinês, gosta muito de atenção, o que se revela um infortúnio para o vosso caro narrador. Ele insere um compasso acelerado na corrente musical desta sala e o pit bull mostra a sua raça. Era indomável! Ataca e ataca até que o moreno lento, vestido de "preto" decide por um fim a esta louca interminável.
Mas que peripécia esta em que o vosso narrador se encontra. Mas finalmente apercebo-me de tudo, e das horas! Tenho que me apressar para não chegar atrasado à aula de geometria.


João Melo, 10º B